Como a Igreja deveria falar sobre sexo

O texto a seguir foi escrito por Joana Hyatt e publicado originalmente na Relevant Magazine. Você pode acessar o texto original, em inglês, aqui.

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Hoje em dia, não faltam textos online a respeito de como a Igreja tem enganado gerações a respeito do sexo. É um exemplo incrível da melhor das intenções sendo deturpada. Algo que começou como uma reação a uma cultura que está cada vez mais obcecada pelo sexo se tornou a negligência do óbvio (na melhor das hipóteses) ou um discurso agressivo repleto de culpa e vergonha (na pior das hipóteses).

Há artigos de sobra respondendo às mentiras no esforço de nos ajudar a abandonar ensinos enganosos. Mas até que você entenda onde que suas crenças se extraviaram, você não enxergará a necessidade de mudá-los.

Mas então… para onde vamos?

Tive um professor na faculdade que frequentemente reclamava que os politicos que meramente criticavam os seus adversários sem darem uma alternativa estavam apenas criando espantalhos. É fácil apontar os erros da Igreja, mas quais ideias deveriam tomar o lugar do pensamento enganoso e prejudicial?

Aqui estão algumas pedras fundamentais que deveriam moldar a maneira pela qual a Igreja deveria falar sobre o sexo daqui em diante.

1. Não há limites para a graça.

Quando é que começamos a classificar pecados num grau de maior ou menor? Frequentemente tendemos a categorizar o sexo fora do casamento como pior do que mentir na declaração de imposto de renda mas não tão ruim como o assassinato. As conseqüências do sexo fora do melhor de Deus podem até ser mais notáveis ou óbvias que outros pecados, mas aos olhos de Deus, pecado é pecado. A única coisa que ofende e que impacta é o nosso relacionamento com Ele.

Nas nossas conversas e atitudes a respeito do sexo, estamos subestimando o poder tanto do pecado quanto da graça.

Mas o sangue de Cristo também cobre todo pecado. A Campanha Nacional de Prevenção da Gravidez de Adolescentes (The National Campaign to Prevent Teen Pregnancy) estima que 80% de casais não casados de 18-29 anos de idade que se identificam como evangélicos já tiveram relações sexuais. E 64% o fizeram nos últimos doze meses.

A Igreja, este é o nosso público: um grupo imperfeito de pessoas que lutaa para praticar a santidade em tempos vacilantes. Todos brigamos com a maneira com que vivemos a nossa sexualidade de maneira santa. O que é desolador é o fato de que o grupo Barna (um renomado grupo de pesquisa cristã nos EUA) indica no seu livro “Você me perdeu: Por que jovens cristãos estão deixando a igreja… e repensando a fé” (You Lost Me: Why Young Christians Are Leaving Church…and Rethinking Faith) é quantos destes mesmos jovens cristãos questionam quantas vezes eles podem ser perdoados antes que a graça se esgote.

Nas nossas conversas e atitudes a respeito do sexo, estamos subestimando o poder tanto do pecado quanto da graça. Em vez de nos concentrarmos na vergonha, na culpa e tudo que não devemos focar enquanto Cristãos, e se enfatizássemos aquilo que os Cristãos aprovam: a graça estoneante, linda, extravagente e infinita comprada por nós quando nenhum de nós era digno.

2. Sexo é espiritual, físico e emocional.

Sexo é bom. Muito bom, às vezes.

Mas sexo incrível não é apenas uma questão de “esquentar”. O melhor sexo é tanto sagrado quanto sensual.

Como diz Ann Voskamp, “A sua pele é a camada externa da sua alma.” Como cristãos, podemos oferecer uma perspectiva que abrange a pessoa por inteiro: mente, corpo e alma; uma perspectiva que não nos esquarteja em partes diferentes a serem compartimentadas, mas que permite que nossos corações abracem e sejam plenamente abraçados enquanto nossos corpos também apreciam o prazer para o qual nós fomos projetados.

A Igreja tem feito bem ao elevar o aspecto espiritual do sexo, mas frequentemente tem levado à exclusão do aspecto físico. Um número excessivo de indivíduos cristãos tem entrado no casamento aterrorizados pelo sexo, ou pior, lutando com a questão de deixarem de enxergá-lo como algo pecaminoso e vergonhoso quando o desfrutam com o seu cônjuge.

Por outro lado, a nossa cultura frequentemente ensina que o sexo é puramente físico, ignorando os aspectos emocionais e espirituais que são absurdamente importantes.

É necessário ensinar como devemos nos portar em meio è tensão entre corpo e alma, de sermos capazes de aplaudir o sexo em toda a sua glória sem idealizá-lo.

3. Se você é casado, invista na sua vida sexual.

Como vamos fazer com que a próxima geração se anime com a espera pelo sexo se o exemplo que damos é que o casamento mata a vida sexual?

Obviamente, o sexo não é o foco principal do casamento, mas é uma parte importante da intimidade e conexão. Em geral, as pessoas casadas deveriam ter vidas sexuais vivas e ricas. Se elas estão lutando com isso (e há várias razões legítimas para tanto), então a Igreja precisa encorajar, equipar e acompanhá-las de perto para levá-las a isso. Precisamos ser sinceros quanto aos medos, inseguranças e pensamentos enganosos que possam estar aleijando a nossa intimidade e não ter medo de pedir ajuda.

Como cristãos, devemos ser lembrados de que o propósito do sexo é melhor realizado quando ele envolve não apenas o que queremos, mas o que damos de si ao outro.

cute-couple-hugMas é possível que as nossas expectativas estejam sufocando as nossas vidas sexuais. O mundo diz que o sexo é a respeito de você e da sua satisfação ou realização. O resultado: um entendimento a respeito do sexo que é aniquilado pelo egoísmo. Somos como Hollywood quando esperamos que o casamento faça com que toda experiência sexual seja apaixonada e prazerosa. Como cristãos, precisamos ser lembrados de que não estamos apenas tomando o que queremos, mas nos entregando ao outro – uma entrega de corpo, emoções, inseguranças, medos e expectativas numa adoração amorosa, de maravilha e serviço. O sexo para si mesmo pode facilmente ser satisfeito na masturbação. Mas isso perde a alegria, a união, a entrega de si mesmo e a aceitação incondicional que são inerentes à ética sexual que é tanto sagrada quanto sensual.

Todos vivemos com desejos insatisfeitos, que podem ser tanto uma ferramenta para nos aproximar de Cristo quanto uma razão para nos distanciarmos dEle. Deus se importa demais com a pessoa eterna que estamos nos tornando para permitir-nos tudo que queremos aqui, nunca precisando dEle ou buscando-O para nos completar ou fortalecer.

Quando fracassamos em buscar e promover uma vida sexual viva que abraça a plenitude do ser, perdemos a oportunidade de apresentar a melhor postura em relação ao sexo. “O sexo incrível é uma parábola do Evangelho – ser plenamente aceito apesar do seu pecado, ser amado por Aquele que você admira no céu”, escreve Tim Keller. Como cristãos, devemos ser as pessoas mais positivas em relação ao sexo na nossa cultura porque nós temos um vislumbre do seu propósito: refinar nosso esplendor eterno mesmo quando desfrutamos do prazer físico.

 

Joana Hyatt mora em Los Angeles e é uma palestrante internacional sobre namoro, relacionamentos e sexo. É autora de “A conversa do sexo: um guia de sobrevivência para os pais” (The Sex Talk: A Survival Guide for Parents). Você pode acompanhá-la no seu blog (joannahyatt.com) ou twitter (@JoannaHyatt).

 

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