Reformulando os limites no namoro

O texto a seguir foi escrito por Paul Maxwell e foi traduzido com autorização do The Gospel Coalition. Você pode conferir o texto em inglês, publicado aqui.

placa-pare_webNão é que os conceitos cristãos populares a cerca dos limites do namoro sejam grandes demais, mas é que o escopo deles é pequeno demais. Fazemos perguntas físicas e quantitativas: “Até quantos centímetros posso colocar a mão?”, “Quantos segundos posso gastar no abraço (ou no beijo)?”, “Quantos minutos podemos gastar a sós?”. Os conselhos geralmente seguem uma linha simplista.

Mas uma noção verdadeiramente cristã a cerca dos limites no namoro não resulta apenas em limites físicos (como se o namoro fosse apenas um relacionamento entre dois corpos cristãos). Ela resultará em limites que refletem o pleno ser pessoal de cada indivíduo ao preocupar-se com cada aspecto do indivíduo – pessoal, emocional, moral e sexual, para citar apenas alguns dos vários aspectos relacionados.

Quatro tipos de limites

Aqui estão algumas maneiras de como pensar não somente nos limites físicos, mas também nos vários aspectos que compõem o nosso ser.

(1) Limites pessoais promovem a independência individual. Eles protegem a ação ou livre agência, o espaço, os relacionamentos com amigos / família / Deus e seus contextos acadêmicos / profissionais como algo que lhes pertence – ou seja, um ambiente livre da invasão do seu namorado(a). De maneira prática, um namoro deve ser convidado e desejado, não pressionado ou coagido. Dependência ou co-dependência fornece aquilo que Deus concedeu a cada pessoa feita à sua imagem por direito divino (Mt 7.12).

É errado que uma pessoa tenha um tipo de controle num contexto romântico que Deus não nos manda dar ao outro (ver 2Sm 11.4,27; 13.14; cf. Pv 25.28, Gl 5.22,23; 1Tm 1.7, 2.9). A livre agência pessoal mantida pelos bons limites supre a intimidade romântica de sentido e substância. O amor pressupõe liberdade e a liberdade pressupõe a segurança relacional de dizer “não”.

(2) Limites emocionais promovem uma saúde de relacionamento. Pode haver várias maneiras de exercer a sabedoria emocional com sentimentos. Podemos diminuir o quanto expressamos; é melhor nem sempre dizermos o que sentimos. Nunca devemos a alguém um sentimento específico ou uma quantidade determinada de emoções. Entregar seu coração completamente a alguém cedo demais é inseguro para você e não é justo com o outro.

O tempo certo é tão importante quanto a integridade num relacionamento (Pv 15.23, 25.11). Respeitar o tempo certo para se permitir sentir certas emoções e a maneira como você as expressa não diminui o sentimento por suprimi-lo. Muito pelo contrário, esperar o tempo certo honra a santidade do sentimento romântico e o seu fim devido (Ct 8.4). A emoção romântica misturada com a saúde no relacionamento é o contexto que Deus quis para fazer de namoro um casamento.

(3) Limites espirituais promovem clareza. Ao reter seu espaço espiritual para si – ou seja, um relacionamento individual com Deus e com a igreja que não depende do seu namorado ou namorada – você está protegendo o seu coração. Você terá todos os recursos necessários para tomar decisões motivadas pelo desejo de honrar a Deus em primeiro lugar, e não a si mesmo (Pv 1.5; Ef 4.16).

Vocês não têm que orar juntos todo dia. Vocês não têm que se mudar de igreja. Não têm que mudar de pequeno grupo. Relaxe e veja como as coisas andam. Cada um é sua própria pessoa numa caminhada com Deus e com o próximo, e você prejudica sua capacidade de amar de forma segura e estável no momento em que se tornar menos que isso. (Preocupe-se quando pessoas começarem a dar-lhe nomes conjuntos como “Jomaria” ou “Paulana”.)

(4) Limites sexuais promovem independência, saúde e clareza. Porém, frequentemente falamos de pureza sexual em termos de trancar nossos corações numa jaula a ser aberta apenas no dia do casamento. Tenho medo de como que essa visão da sexualidade se revela no casamento. Inversamente, procuramos cultivar a pureza sexual que reflete nosso pleno amor por Cristo por causa dEle (Sl 33.21; Pv 4.23; 1 Pe 1.22).

O propósito dos limites

Limites não servem para abafar o romance, e sim para capacitar e cultivar uma intimidade romântica sadia. Eles não servem tanto para impedir que outros se intrometam quanto lhes aproximam um do outro enquanto vocês crescem em intimidade relacional.

Mas é claro que não se pode manter limites plenos sem que haja listas e regras específicas. Jogar fora a especificidade por mero idealismo é mergulhar de cabeça na impureza. Mas o problema com a maioria das visões a respeito de limites é que a própria pureza é tratada como uma lista, em vez de um tipo de relacionamento com Cristo, a comunidade e o(a) namorado(a). Limites no namoro não são antes de mais nada as prescrições de Deus para a pureza moral, e sim a estrutura do cuidado de Deus pela dignidade humana.

Paul Maxwell (Mdiv) é aluno de PhD em teologia sistemática no Seminário Teológico de Westminster. Ele tem artigos e resenha publicados nas áreas da psicologia, filosofia e teologia em periódicos acadêmicos cristãos e seculares. Você pode segui-lo no Twitter.

 
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4 comentários sobre “Reformulando os limites no namoro

  1. Ótimo texto. Infelizmente os relacionamentos hoje, são propostos pensando na intimidade em todos os aspectos citados. Não se procura o outro para fazer a vontade de Deus ou pelo que a pessoa é de fato, mas pela aparência, o q possui, ou q pode proporcionar. Todas as “regras” são quebradas, podendo gerar idolatria e terminar num mal casamento. O pior é ver isso dentro da igreja. Namoro sem Deus pode ter um final trágico.

  2. Muito bom esse texto …. Hoje em dia as pessoas só visam a aparência , só querem saber de relacionamentos que vão fazer bem pra si próprio esquecendo que há uma outra pessoa ao lado dela …. Acho muito lindo quando os namorados escolhem viver para Cristo , porque só assim teremos famílias neste mundo que realmente fazem a diferença …….

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