“All you need is love…”

“O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” João 15.12,13

Tive hoje uma experiência fascinante, mas também humilhante e arrasadora. Estou acompanhando meu pai na sua visita para Recife onde ele ministrou duas palestras. O pastor da ICNV local tem nos levado até as palestras e enquanto atravessamos a cidade, ele não faz feio como guia turístico. Explica cada novo prédio, conta uma história sobre a igreja e por aí vai. Mas saindo da palestra de hoje, começou a nos falar da situação da cidade, particularmente sobre a parte mais pobre. Ele então falou de alguns trabalhos do qual participa. De repente, ele nos ofereceu: “Vocês querem conhecer?” Meu pai logo concordou. Eu não fazia a mínima ideia do que esperar. O carro andava e a cidade ia ficando um pouco mais precária. Os grandes prédios davam lugar a galpões com cara de abandonado e lixo pelas ruas. Finalmente paramos, saímos do carro e fomos até o portão de um espaço no qual várias crianças são atendidas. Da entrada já ouvíamos a gritaria da criançada e o cheiro do almoço. Entramos e fomos recepcionados com sorrisos dos ajudantes. Entramos e vimos então talvez sessenta crianças que não deviam ter mais de sete anos. Atravessamos o salão em meio a gritaria e fomos saudados com mais sorrisos.

Imagine a cena: meu pai com sua barba branca e eu juntos com o pastor adentrando o local. Não é uma cena muito comum para aquela turma, imagino. Dois sujeitos com cara de gringo acompanhando o pastor. Fomos para a parte de trás do terreno onde ouvimos mais sobre o local e tudo que acontece lá. Conhecemos mais “sorrisos” que mantém o trabalho de pé. Passado nosso tempo ali, saímos pelo mesmo salão pelo qual entramos. Aquela criançada nos acompanhava com os olhos. Fiquei bobo com tanta criança comendo de maneira comportada. Do nada, vejo do meu lado um mão para cima. Achei que o menino estava com a mão levantada esperando alguma tia o atender, como estavam tantas outras crianças no recinto. Mas não, ele estava com a mão estendida na nossa direção. Instintivamente, estiquei meu braço e apertei a mão dele e dei um sorriso, cuja recíproca foi encantadora. Mais a frente, outra criança mandava um “joinha” pra gente, e retribui o carinho mandando outro para ele. Mais um sorriso de ponta a ponta do rosto. Saímos do local e fomos acompanhados até a porta por mais “sorrisos”. Entramos no carro e seguimos para o resto das atividades do dia.

Mas aquela mão estendida no meio da turminha ficou comigo. Não conseguia pensar em mais nada enquanto o pastor explicava que aquela era a área mais perigosa da cidade, com o maior número de mortes registradas. Aquilo me marcou, me feriu por dentro. Comecei a pensar sobre a questão do papel social da igreja e como podemos lutar por causas políticas e tantas outras questões, saneamento básico, melhores condições… mas naquela hora, o garoto só queria um aperto de mão, queria ser reconhecido. Foi… humilhante.

Conversamos sobre trabalho social, sobre o local que havíamos acabado de conhecer e sobre as “modalidades” de auxílio. Cheguei a uma conclusão: recursos financeiros, auxílio, roupas, mantimentos, tudo isso é válido e necessário, mas nada, absolutamente nada substitui entrar e sentar ao lado dessas crianças ou dos seus pais e simplesmente os reconhecer como pessoa e estender a mão, dar um abraço carinhoso, ouvi-los.

Como é que demonstramos o amor de Cristo a um irmão com apenas um cheque? Com um par de sapatos? Sim, são necessários, mas o dinheiro é gasto e o sapato eventualmente não serve mais. Mas o carinho, o reconhecimento, o amor… isso vai além. Isso toca profundamente. Podemos contribuir com recursos e tudo mais. Mas e se nós, em vez disso, gastássemos nosso tempo ouvindo essas pessoas e as valorizando? Orando com elas? Falando de um amor maior do que tudo que o mundo jamais conheceu? E se nós pudéssemos dar um abraço sincero nessas pessoas carentes e dizer: “Isso é só um pouquinho do amor que meu Pai tem por vocês.” Imagine só o impacto disso!

Agora, pensemos em outro cenário. Imagine que você esteja andando no meio do shopping mais elitizado da cidade. Homens e mulheres passeando pelas lojas absurdamente caras com suas roupas de marca e o “look” da moda. Imagine passar ao lado de uma mãe vestida na maior elegância olhando as vitrines com uma bolsa carésima pendurado num braço e a mão o seu filho no outro. Você nota que a criança está bem vestida e muito bem cuidada com sua blusa pólo passadinha e bermudinha xadrez da moda. Mas na hora que você passa do lado dela, essa criança olha para você com os olhos vazios e estende a mão. O que você faz? Esse menino obviamente não tem as mesmas necessidades daquele outro que conheci hoje pela manhã, mas não deixa de ser tão carente como o primeiro. Pior, talvez seja ainda mais carente por achar que tudo que ele tem é o suficiente para o manter confortável.

Qual é a diferença entre essas duas crianças? Uma tem muito e a outra tem pouco, mas ambos sentem falta da mesma coisa: reconhecimento, acolhimento, amor.

Hoje em dia ouve-se falar demais sobre evangelismo e ação social, engajamento político e tantas outras coisas em prol do Reino de Deus. Mas o que é que nós como povo de Deus temos a oferecer para suprir uma carência tão evidente? O que é que temos nas mãos que mais ninguém se não o cristão pode apresentar a essas pessoas? Como é que acolhemos as almas sedentas que habitam este mundo? A resposta é amor. Mas não é um amor qualquer. É o maior amor que este mundo jamais conheceu!

Um dia nós estivemos no meio de um lamaçal. Estávamos completamente perdidos, cegos, incapazes de enxergar a nossa própria podridão. Vivíamos jogados, largados à deriva sem rumo, sem ter para onde ir. E pior, fomos nós que escolhemos essa podridão. Mas em meio às trevas, em meio àquela escuridão e podridão, Deus estendeu a sua mão a nós e nos tirou dalí. E mais, Ele nos mostrou amor. Com este amor Ele nos reconheceu e nos acolheu. Nos trouxe de volta para si de maneira maravilhosa e nos deu uma nova identidade, um novo propósito, uma nova razão para viver, uma nova vida. Ele estendeu a sua mão e disse: “Você é meu. Eu te quero para mim.” Você entende isso? Você consegue compreender a maravilha deste amor completamente imerecido? Um amor maravilhoso e perfeito que enxerga além da nossa rebeldia e nos convida a passar toda a eternidade com Ele, O amor. Deus olha para nós e nos recebe de braços abertos e com um sorriso e nos reconhece nos chamando pelo nome!

Quando pensamos em ação social, em evangelismo, qual é o foco da nossa ação? O que pretendemos levar a quem quer que seja? Comida? Roupa? Condições de vida? Sim, isso é importante, mas é tão pouco, é absolutamente nada comparado com algo tão maior que temos para oferecer para o pecador necessitado! E se nós entregássemos a nossa própria vida por essas pessoas? Ao invés de mandar um cesta básica, por que não sentar à mesa com elas e comer do mesmo prato? E aqueles que vivem abastados, na ilusão de que não precisam de mais nada. Quem levará o amor de Deus a estes? Quem sentará ao lado deles e os reconhecerá e acolherá? E se abríssemos mão de tudo que temos e somos para que por meio do nosso sacrifício aquela pessoa pudesse sentir o amor de Deus por ela? Bem, foi isso que Cristo fez por nós. Ele deu seu único filho, deu de si para que nós pudéssemos viver na eternidade, nos esbaldando no seu eterno amor.

Você é amado? Não tenha dúvida disso. Deus te ama, caso você tenha se esquecido. E agora que você lembrou disso, como é que você tem demonstrado esse amor único ao próximo?

O mundo está aí, cheio de mãos levantadas, sedentas, agonizando a caminho da morte certa. E nós aqui temos o maior amor que o mundo jamais conheceu. Você pode estender a sua mão a eles?

 

Licença Creative Commons

This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “O Blog do Andrew”.

Anúncios

6 comentários sobre ““All you need is love…”

  1. Gostei andrew, me lembrou de quando entrei na igreja pela primeira vez, quando o baterista da igraja me recebeu com um abraço, não era acostumado a abraçar homens, mas me senti muito acolhido e uma pessoa importante, as vezes queria voltar por causa daquele irmão. Valeu cara, belo post
    Deus te abençoe irmão

  2. Linda forma de expor a experiência vivida. E realmente tudo o que precisamos é o amor, ele transforma…Gostaria muito que as pessoas entendessem inteiramente a importância do Ide, ordenado por Jesus. São muitos os que precisam e poucos os que estão disposto a doar.

  3. Que texto lindoooo!Me senti impactada com toda essa leitura!Eu amo o amor,é algo tao nobre,tão profundo e espero exercer esse dom a todos quantos o Senhor me permitir cooperar!Obrigada por me animar a tal prática!Que o Senhor o capacite mais e mais a cooperar conosco! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s