Quem é Jesus?

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” (João 17.3)

Essa é uma pergunta que, em primeira instância, não é tão complicada assim, ou pelo menos não deveria ser. Ela, porém, tem sido motivo de algumas das maiores heresias da história. E ainda hoje, nos vemos diante da mesma questão: quem foi e é Jesus Cristo?

O problema

A verdade é que todos nós queremos, mesmo que de maneira inconsciente, um ‘Jesus’ que atenda à nossa expectativa. A partir disso, há uma variedade de ‘Jesuses’ no mercado, um para cada imaginação e expectativa. Temos o Jesus “Che Guevara” que virá para libertar a população necessitada e oprimida das mãos da injustiça social. Temos o Jesus “Papai Noel” que veio para nos dar aquilo que sonhamos e que merecemos por sermos tão bonzinhos durante o ano todo. Tem o Jesus “fiscal” que está de olho em quantas orações você fez hoje. O Jesus “avô” que adora mimar seus netos, e por aí vai.

Eu, pessoalmente, ficaria feliz com um Jesus “Thor”. Porque o Thor é MUITO legal. Imagina só? Você, no meio daquela batalha toda, cheio de problemas e chega Jesus voando lá do alto com Mjolnir na mão e mete uma marretada no chão e todos meus inimigos são jogados longe. Seria muito legal… (imagine o sorriso de um moleque de 10 anos sorrindo com cara de revanche).

Pense no povo do Antigo Testamento que vivia à espera do Messias que haveria de tirá-los do cativeiro. Após séculos de profecias daquele que viria para libertar o povo do cativeiro, aprece um neném nascido numa manjedoura, o equivalente de uma oficina de carro nos dias de hoje. O verdadeiro Jesus Cristo é uma frustração para a expectativa humana, de certo modo.

A questão da definição de Jesus é antiga. Aliás, vários livros da Bíblia foram escritos justamente para combater, como veremos abaixo.

A primeira epístola de João

O livro de I João foi escrito para defender o verdadeiro cristianismo. Nessa epístola, o apóstolo quis estabelecer um critério de retidão, amor para com os irmãos da fé e, principalmente, uma correta cristologia (em resposta a uma heresia da época).

O gnosticismo estava fazendo a cabeça de muitos. Essa crença vem da ideia de que qualquer um é capaz de alcançar sua salvação por meio do seu conhecimento (gnosis, a palavra grega para ‘conhecimento’). Logo, o deus ou ser divino que fosse se revelaria individualmente e cada um seria salvo mediante a sua experiência individual, por meio da sua capacidade intelectual, a grosso modo. Seguindo esta linha, João estava abordando mais especificamente o docetismo. Dokeo é a palavra grega para ‘parecer’. O docetismo pregava que aquele Jesus que foi visto na terra era apenas uma aparição do Filho, mas não uma encarnação propriamente dita. Portanto, o objetivo do autor era o de testemunhar do Jesus homem. Vamos ao texto.

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida. A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada. Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa. (1 João 1.1-4)

1 Jo 1.1a – “O que era desde o princípio…”

Primeiro, Jesus era Deus, um com o Pai, o Criador, aquele que sempre foi desde a eternidade. João aqui faz um paralelo com Gênesis 1.1 ao relacionar este Jesus ao Criador de maneira explícita. Da mesma maneira, este trecho faz coro com o começo do evangelho escrito também por ele. “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.” (Jo 1.1)

Um aspecto interessante do texto de João é o fato de que no original, o apóstolo usou a palavra grega logos, que foi traduzida para verbo, no caso, o Verbo da Vida. Para a cultura grega à qual ele pregava, isso era um baita choque. A filosofia grega enxergava o mundo da seguinte maneira: primeiro, um plano divino e perfeito. Segundo, um plano material e corrompido, e os dois planos jamais se misturavam. O logos descrevia o plano divino, um ser espiritual, uma força que tudo permeava. João, sem o menor pudor, basicamente diz: “Sabe aquele ser não identificado e sublime que é perfeito e divino? Pois é, esse homem, Jesus, é aquilo. Aquele todo intangível se fez carne.” De repente, os dois planos completamente distintos se fundiram na figura de Jesus. Imagina o nó que deu na cabeça deles? O apóstolo foi logo na jugular da filosofia grega. Basicamente.

1 Jo 1.1b “… o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.” 

João não está falando somente do Deus que sempre foi. Ele fala de uma pessoa, o verbo que se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14). Ele não só ouviu Jesus. Afinal, podemos ouvir o vento, mas não podemos vê-lo. Mas João enfatiza: ele ouviu e viu. Aqui ele está explicitando o lado humano, o homem histórico que foi Jesus. Mais do que isso, o apóstolo diz que Jesus foi contemplado, ou seja, gastaram tempo com ele, o que vem a enfatizar aquilo que é dito em 2 Pe 1.16:

“De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando lhes falamos a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; pelo contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade.”

João e os apóstolos ouviram, viram e apalparam, pegaram em Jesus. Da mesma maneira que Jesus desafiou os apóstolos em Lc 24.39 (“… apalpai e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos…”), o texto afirma que o Cristo veio em carne e osso.

1 Jo 1.2 – “A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.”

O Apóstolo, João, tem moral para falar. Uma testemunha não é uma pessoa qualquer, não é alguém que simplesmente ouviu falar. Quando um crime é cometido, a testemunha é aquele que esteve no momento e viveu o ocorrido. Esse homem andou com Jesus (Jo 21.24).

Outro detalhe importante é o uso do artigo antes da palavra vida. Ao descrever a vida, ele não está falando de uma vida qualquer: esta é a vida eterna, que estava com o Pai. Essa colocação enfatiza, novamente, o caráter divino de Cristo, assim como a vida que ele veio nos dar.

1 Jo 1.3 – “Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.”

O texto relata aquilo que foi visto e ouvido para que nós pudéssemos ter comunhão com as testemunhas de Cristo. Nós temos comunhão com eles ao gastarmos tempo com esse texto, assim como o resto da Palavra, a revelação de Deus para nós.

Não há aqui só o sentido da comunhão com as testemunhas, mas também com o corpo de Cristo, com o Pai e o Filho. Todavia, para fazermos parte dessa comunhão, temos que reconhecer aquela verdade que é comum a todo ser humano.

“Como está escrito: ‘Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer’. (…) pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus…” (Romanos 3.10-12,23)

Todos nós pecamos. Todos. Somos todos carentes de salvação. O nosso pecado criou um abismo entre nós e Deus, um abismo que só um pode preencher: Jesus Cristo. Ele tomou sobre si a morte que nos era justa e nos deu a vida eterna por meio do seu sacrifício na cruz.

Como teremos comunhão com o Pai? Somente quando reconhecemos o nosso pecado e a verdade de que não há salvação, se não por meio da morte e da ressurreição de Cristo Jesus.

1 Jo 1.4 – “Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.”

Enquanto vivermos nesta terra, teremos apenas uma parcela da alegria que um dia teremos com o Pai. Nossa alegria só será completa no dia em que estivermos livres do pecado e em comunhão perfeita com Deus Pai, Filho e Espírito Santo na sua glória por toda a eternidade. E João escreve tudo que é dito nos primeiros três versículos para que tenhamos essa alegria completa. Ou seja, precisamos conhecer o Jesus Deus, o Jesus homem e o Jesus Salvador para que possamos viver com Ele eternamente. É somente quando o conhecemos plenamente que temos vida eterna (Jo 17.3).

Aplicação

Por que precisamos entender que Jesus é Deus? Porque quando vemos Jesus apenas como homem, ele se torna um mero exemplo a ser seguido, tal qual Buddha ou Ghandi.

Por que precisamos entender que Jesus foi homem? Pois se o vemos apenas como um deus, ele se torna uma força cósmica, uma energia indefinida. É engraçado pensar que quando queremos aprender sobre, por exemplo, Mozart ou qualquer outra figura histórica, buscamos nos livros os relatos daqueles que viveram com ele. E qual é o livro que relata a figura histórica de Jesus? Quem foi que andou com ele e pode testemunhar da sua humanidade e vida?

Precisamos conhecer Jesus, o Cristo, o único Senhor e Salvador. O problema é que esse Jesus não é tão fácil de ser seguido. Não podemos definir como o seguimos. Temos que necessariamente enxergar o Deus, o homem, o nosso pecado e o Salvador para que tenhamos a vida eterna.

Uma vez que conhecemos este Jesus, a pergunta é: será que este Jesus conhece você? Pois naquele dia, não haverá um outro Jesus mais fácil no qual poderá buscar abrigo. Alguns acham que realmente conhecem Jesus, um “mais fácil e amoroso do que esse revelado na Bíblia escrita por homens falhos”. E quando aquele dia chegar, alguns dirão: “Mas Jesus, profetizamos em teu nome! Expulsamos demônios em teu nome! Fizemos evangelismo na praça, fomos para aquela passeata, participamos da vigília, conhecemos todos os corinhos de cor…” E Jesus responderá: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.” (Mt 7.23)

Naquele dia, quando o Cordeiro imolado abrir o livro da vida, eu quero ouvir meu nome sendo chamado. Eu quero que Jesus aponte para mim e diga: “Andrew, esse eu conheço. Esse é meu!” E no final de tudo, isso é a única coisa que importa.

Todos têm um encontro marcado com Deus no dia do juízo final. Não importa o quão longe você for, todos os caminhos levam a Deus. Porém, uns encontrarão o seu amor, mas outros a sua ira.

Você conhece Jesus? Se não, faça-o hoje, para que naquele dia Ele o conheça também.

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3 comentários sobre “Quem é Jesus?

  1. CONTINUE!Me maravilho com o SENHOR por uma árvore tão jovem e raízes tão profundas,isto me faz lembrar uma questão em que seu avô respondeu(+ ou -)assim:é porque meus pastos são mais verdes(Neopentecostalismo,a história não contado). Isto explica a árvore que você representa.Amo todos vocês,oro e agradeço a DEUS,por ter nascido neste pasto.Graça, misericórdia e muita revelação em sua vida,da parte do SENHOR ,para o Seu rebanho.

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