‘Apartheid’ cristão

“A amizade nasce no momento em que uma pessoa diz para outra: “O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único!” C.S. Lewis

Quem já teve a experiência de compartilhar a sua fé com um não crente? Todos, uma hora ou outra, acabam tendo tal experiência. No meu caso, ouvi o seguinte como resposta: “Ah, tá, tipo católico? Ou protestante? Batista, presbiteriano, por aí, né?” É, mais ou menos por aí.

Noutra ocasião, me perguntaram sobre um irmão de uma igreja que não era a minha: “Ele crê na mesma coisa que você, né?” E respondi, meio sem saber como explicar, que sim. Afinal, em ambos os casos, o irmão a quem se referiam era de outra denominação. Sem querer entrar nos pormenores de cada denominação, respondi que sim.

Mas… porque me senti tão sem graça e sem jeito de afirmar que “a gente era a mesma coisa”? O irmão ao qual se referiram na segunda ocasião era de uma Assembléia de Deus. Mesmo assim, me senti sem graça de assumir, perante um não cristão, que aquele amigo nosso era da mesma fé que eu.

Pensemos no seguinte: como se explica para um não cristão a diferença entre denominações? Afinal, se ambos cremos no mesmo Cristo e lemos a mesma Bíblia, não seria natural nos considerarmos irmãos?

Em ainda outra ocasião, tive a seguinte experiência. Numa conferência de profissão reformada, ao ser apresentado para alguém, me perguntaram: “Você é presbiteriano ou batista?” Respondi: “Na verdade, sou de uma denominação pentecostal.” O sujeito fez uma cara de espanto, tamanha a surpresa com a minha resposta. Na mesma semana, me fizeram a mesmíssima pergunta. Dei a mesma resposta e a reação, em tom de brincadeira, foi um tanto constrangedora. O responsável pela pergunta fechou o tempo: “Então não fala comigo.” Tá, foi brincadeira. Mas… em toda brincadeira existe um fundo de verdade, certo?

Meu trabalho com na editora Anno Domini faz com que eu circule entre várias denominações, das mais diversas crenças. Ando entre arminianos, calvinistas, cessacionistas, não-cessacionistas, pentecostais, presbiterianos, batistas, luteranos, anglicanos, dizimistas, bateristas, organistas e por aí vai. Mas aí são negócios, então dá pra entender como ando entre tantas alas diferentes, certo? Bem… é complicado.

Já bati papos dos mais diversos. Houve uma vez em que fui instruído a omitir o fato de que toco bateria na minha igreja, pois o pastor em questão nunca entenderia. Em outros, se eu pronunciar o termo “pré-destinação”, já era. Faço um malabarismo para transitar entre as diversas “crenças” com as quais me deparo. Mas, negócios-negócios, amigos a parte, não é?

Numa conversa que não tinha nada a ver com o trabalho, deparei-me com a seguinte questão: a pessoa cogitou a hipótese de que talvez não se sentiria à vontade na minha igreja. Antes de eu responder, logo comentou: “Afinal, você também nunca se sentiria a vontade na minha.” A pessoa era batista, e eu pentecostal. O que ela não sabia é que na minha família temos presbiterianos, batistas e pentecostais. Então eu cresci indo em igrejas “estranhas”, nas quais sempre me senti à vontade. Na minha igreja temos bateria, guitarra e palmas. Na dela, hinos do Cantor Cristão e apenas um piano. O erro da dita cuja foi concluir que eu jamais me sentiria a vontade em uma igreja cujos costumes não fossem iguais aos meus.

Nesse cenário todo, eu talvez ocupe o pior lugar possível. Vou tentar explicar…

Sou de origem pentecostal. Meu avô, canadense, veio ao país como missionário a convite das Assembléias de Deus do Brasil na década de 60. Também creio na doutrina reformada. Creio na pré-destinação e nos cinco pontos do calvinismo. Creio, inclusive, na manifestação atual dos dons espirituais, sem esquecer do dom de línguas. E sou baterista (com muito gosto, pois poucas coisas me trazem tanto prazer quanto tocar bateria nos cultos de domingo). Ah, e creio que Jesus não aboliu o dízimo. Meu hino predileto é o número dez do Hinário Presbiteriano Novo Cântico, “Vós Criaturas de Deus Pai”. Mas é quase um empate entre esse e o número 6, a “Doxologia” (que inclusive foi minha escolha na formatura, na versão do David Crowder Band).

Se você leu o parágrafo anterior sem problemas ideológicos, saiba que alguns termos que citei são, em primeira instância, contraditórios. Mas pode ter certeza que a coisa fica um pouco mais complicada teologicamente a seguir.

Como se tudo que mencionei acima não fosse o suficiente, meu sobrenome é McAlister (caso você ainda não saiba). Qualquer pessoa que estudou história da igreja brasileira no século XX provavelmente afirma, quase sem dúvida, que meu avô, Roberto McAlister, foi o “pai do movimento neopentecostal”, fato já esclarecido no livro do meu pai, Neopentecostalismo: a história não contada. Afinal, alguns dos líderes de maior renome dessa doutrina saíram da igreja que meu avô fundou e que meu pai atualmente pastoreia (a palavra chave é “saíram”… por conta própria). Essa reputação já me confere quase que uma expulsão de certas igrejas em território nacional. No mínimo, recebo um olhar meio atravessado.

Entre os presbiterianos, sou “estranhado” por crer na atuação dos dons. Entre pentecostais, ninguém entende como que posso afirmar que sou um calvinista. Entre os batistas, bem, o simples fato de não ser batista já faz com que pensem que não serei salvo.

Como lidar com tudo isso? Tente explicar este cenário todo para um não crente e você verá o quanto isso tudo beira o absurdo. Afinal, aos olhos do leigo, não seriam considerados aqueles que creem no mesmo Deus e que lêem a mesma Bíblia “irmãos”? Eu diria que sim. Porém, na prática, não é bem assim.

Deixe-me esclarecer o seguinte: não sou contra as diversas denominações, tampouco contra as doutrinas aparentemente conflitantes. Creio que cada denominação traz uma contribuição significativa ao debate nacional. Afinal, não vai ser em uma geração que vamos “desfazer” crenças que se formaram ao longo de séculos. Muito menos em um mero texto de um blog de um jovem frustrado no Rio de Janeiro. O que me assusta é como que em meio a todas as minhas viagens e todas as minhas “andanças” entre os diversos círculos, eu me sinta tão constrangido e até com medo de abraçar um “irmão em Cristo”. Afinal, não conheço a teologia dele. Uma coisa é heresia, tal qual achar que pelo meu decreto ou pela minha “oração de fé” Deus me dará um carro novo ou o tão desejado sonho de consumo. Agora, não consigo entender como que por algo tão corriqueiro e insignificante quanto o fato de bater palmas no culto, alguém se sinta tão incomodado por mim e pela minha liturgia. Entendo que há certos erros teológicos históricos que deixam alguns de cabelo em pé. Porém, o que não me desce é como tanto um lado quanto o outro se recusa a sequer se dispor a tentar ouvir ou, muito menos, entender o outro.

Será que a salvação está restrita aos calvinistas? Será que qualquer igreja que bate palmas está “em pecado”? O fato de crer ou não na atualidade dos dons faz com que eu seja mais ou menos dependente da graça e do perdão absoluto de Cristo pelos meus pecados?

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Rm 3.23,24)

Todos. Todos, sem exceção. Tanto eu quanto você somos merecedores da ira eterna de Deus. Nosso Deus e Pai, porém, deu seu único filho por nós, para morrer a morte que nos era merecida. Em outro trecho das escrituras, na passagem que relata a história da mulher a quem Jesus pede água:

Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos). Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.” (Jo 4.9,10)

A mulher samaritana se espantou com o pedido de Jesus, afinal, um judeu nunca pediria água a uma mulher samaritana. Jesus, porém, responde dizendo que se ela conhecesse o dom de Deus, e quem era aquele com quem ela falava, seria ela que lhe pediria a água viva que Ele lhe daria.

Na igreja brasileira de hoje somos um corpo de membros fracionados e segregados que sequer se dispõe a ouvir ou entender um irmão, ainda mais se este se considera um irmão em Cristo crendo em uma doutrina um pouco diferente da nossa. Uma triste constatação.

Não pretendo com este texto desfazer séculos de história da Igreja. Gostaria de simplesmente poder abraçar um irmão na fé, seja ele arminiano ou calvinista, presbiteriano ou pentecostal, cessacionista ou não-cessacionista, e ao fazê-lo saber que estou em comunhão com o corpo de Cristo, para que juntos possamos reconhecer a gloriosa misericórdia demonstrada por todos nós na Cruz do Calvário.

Eu não mereço a graça e o amor de Cristo, muito pelo contrário. Deus entregou seu único filho por amor a mim, um miserável pecador. E por você também.
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30 comentários sobre “‘Apartheid’ cristão

  1. Eu já havia sentido essa sensação de separação mas nunca havia parado para pensar no assunto. Concordando contigo, penso que devemos sim rejeitar heresias, mas fora isso somos todos um só corpo, somos todos a Noiva. E mesmo com certos costumes e crenças diferentes, não é motivo para haver essa separação ou achar que uma está mais ou menos certa que outra.

    Deus abençoe!

  2. “(…)não podemos prender-Te em nossos templos, nem mesmo nas nossas bíblias, ou se torna apenas mais um ídolo que Te limita. (…) mas te encontraremos nas ruas, nas prisões, e até mesmo em nossas bíblias e igrejas.”

    Li e só consegui lembrar do Gungor e de Jesus orando para que fôssemos um de modo que o mundo soubesse que Ele nos enviou.

    Ps. Sou Batista, namoro um presbiteriano e não acho que não será salvo pq vc é de uma denominação pentecostal.

    1. Pois é Agnes, grande Gungor 🙂

      Quanto ao comentário batista, é uma generalização. Claro que existem exceções. Tratei de comentar uma generalização da parte deles. Minha mãe, também de origem batista, cresceu ouvindo que só a doutrina dela era correta. Antes fossem mais batistas como você.

  3. Olá meu irmão. Gostei muito do texto e o título dele expressa de forma clara, algo que eu sempre quis achar um nome e não conseguia, Apartheid é (infelizmente) algo que retrata muito bem nosso meio. Confesso que, como batista, fiquei um pouco desgostoso com a afirmação de que um batista não acredita na salvação de fiéis de outras denominações, mas talvez você tenha tido experiências desastrosas com algum por aí, apenas te garanto que não é algo generalizado. Um grande abraço

    1. Daniel, peço perdão se de algum modo lhe ofendi. Não foi a minha intenção. Sobre esta afirmação, eu quis tratar de uma generalização bastante comum. Minha mãe é de origem batista e ela me falou que cresceu aprendendo que a igreja batista era a única doutrina correta. Meu avô é membro fundador da Igreja Memorial Batista de Brasília, e tenho um primo que congrega na Batista do Morumbi em São Paulo até hoje. Além disso, tenho vários bons amigos batistas. Porém, também tive algumas experiências com irmãos batistas que constataram a postura que eu descrevi no texto. Quis apenas observar como cada denominação (em termos gerais) tem seu preconceito, e não excluo a minha disso.

      Abraço!

      1. Sim, sim, compreendi depois a sua postura, tá certo mesmo brother. Curti todo o blog, salvei nos favoritos pra achar o link fácil e to seguindo no twitter, se Deus quiser nos vemos por aí nos comentários. Teologia de qualidade a gente faz assim, com troca de experiências né. Deus abençoe!

  4. É uma constatação muito triste mesmo, também é muito complicado explicar que [não] somos diferentes. Algumas pessoas também já me disseram: “jurava que tua igreja era neopentecostal!” (também sou da ICNV).
    Lembro da “Carta a um católico romano” de John Wesley, onde ele fala que o que nos une e nos assemelha é muito mais profundo do que o que nos separa e nos diferencia (bem resumidamente rs).
    Em Efésios 4, Paulo fala sobre a unidade do corpo, né… Acho que um dos problemas seja a grande preocupação em interpretar assim ou assado tal parte das Escrituras e/ou concordar/discordar de tal personagem histórico e deixar passar direto partes importantíssimas da Bíblia, como essa de Efésios.

    Boa reflexão, Deus abençoe!

  5. Este texto colocou em palavras várias coisas que me pego frequentemente pensando. Talvez pelo mesmo motivo que você Andrew. Este circular entre as denominações que nos leva a inevitavelmente comparar algumas questões, e ter o reflexo de tentar achar o “certo” entre as controvérsias que eventualmente encontramos.
    Eu acrescentaria a esta sua divisão entre as denominações, a divisão entre as próprias igrejas em uma denominação, ou mesmo entre as diferentes regiões do nosso país. Eu sou membro de uma igreja batista: que tem guitarra, bateria, batem palmas e se bobiar você escuta um “Aleluia” ou “glória a Deus” no culto. Nada demais nisso tudo, mas diferente do padrão idealizado que temos dos batistas. Já fui a igrejas batistas (bem mais tradicionais) que me deixaram super desconfortável, como também já fui a igrejas da Assembleia de Deus em que me senti super em casa.
    Bom, isso tudo pra dizer o que, né? É que eu tenho pensado que grande parte dos nossos conflitos denominacionais são, na verdade, culturais. Nós vemos o mundo com os “óculos da nossa cultura” (e cultura cristã também, porque não?!), e quando chegamos em outra igreja parece que nossos “óculos” não se adaptam e tudo fica estranhamente esquisito e “embaçado”.
    Afinal: – Como Deus consegue aceitar esse culto? Esses defeitos doutrinários? Esses pecados horríveis desses irmãos!” – Como se não tivéssemos igualmente pecados, defeitos doutrinários e etc..
    Só que a questão que tenho entendido é que Deus não tem nossos óculos culturais. Deus tem uma ‘super visão’ que está acima de tudo isso. Enquanto nós vemos a bateria, os costumes, as roupas… Deus vê o Evangelho.
    E é só no momento que estamos cheios da presença de Deus, que o Senhor nos dá a Sua visão, que a gente entende tudo isso. Daí percebemos como nossas diferenças são pequenas perto do grandiosidade da nossa comunhão! Sabe como?! =)

    Bom, não sei se me fiz muito clara, talvez tudo isso tenha soado uma grande viagem filosófica particular! (e talvez seja! hehe) Mas tem me ajudado a reconhecer meus irmãos em Cristo como irmãos de verdade.
    Desculpe pelo comentário grande. Mas esse texto (e esse assunto) empolgou!
    E parabéns pelo blog Andrew. Que Deus te abençoe.

  6. Creio no Credo dos Apóstolos, na Santíssima Trindade, na Divindade e Humanidade de Cristo (100% Homem e 100% Deus). Há sou calvinista nos cinco pontos. Não creio na obrigatoriedade do dízimo mas, mesmo assim, contribuo mais que o dízimo. Podemos frequentar a mesma denominação? Somos irmãos?

  7. É todas essas questoes já aconteceram comigo também.Mas, cheguei a conclusao que:isso é normal para seres humanos,que ainda no corpo físico sao imperfeitos( mesmo sendo cristaos),Já estive e por varias vzs estou em um desses lados ,o que julga e o que é julgado.Essas questoes sao antigas ,atuais e creio que futuras.Porém quando formos apenas espiritos isso cessará. Sou grata a Deus que me ajudou a nao mais me frustar com essas coisas,pq são mto desgastantes,ufa! já me pertubei muito com isso. Já fui da igreja Batista com doutrinas pentecostais por 8 anos. Igreja pentecostal de nova vida(hoje igreja crista de nova vida) que o fundador foi o seu avô(Roberto Macalister) por 12 anos. Depois fiquei frequentando a igreja batista biblica e ao mesmo tempo a 2ª igreja batista(todas duas tradicionais,a biblica mais tradicional) ,todas essas experiencias juntamente com o meu marido) e hoje somos membros dessa 2ª igreja batista,e hoje eu cheguei a conclusao que preciso mesmo buscar a Deus ,para melhor servi-lo e pedir sabedoria para conviver com nossas diferenças,e já consigo conviver sem me desesperar. E para os que confessam outra fé, me pego tendo pela graça de Deus mais paciencia,quando me questionam essas questoes e a minha resposta flui que depois eu nem sei repetila-la em qualquer momento, mas naquele momento Deus me ajuda e esclareço os questionamentos e me sinto em paz,pq para a glória de Deus entendem o pq dessas coisas,que sao puramente humanas. E se por acaso isso nao acontecer, tb nao me frusto mais ,pq os planos de Deus para qualquer pessoa nao serao frustados por nenhum motivo. Bençaos de Deus pra vc Andrew. Amo a Igreja Crista de nova vida, até hoje foi a igreja que na minha opiniao , é a mais biblica. Tá vendo ai eu julgando?,rs, e que ironia! ,nao sou mais membro dela, vai entender né? mais há tempo para todas as coisas! Um ósculo santo para vc, meu irmao em Cristo.

  8. Conheci o evangelho na ICNV, onde fui batizada, congreguei em uma Presbiteriana tradicional e hoje estou em uma presbiteriana renovada, unicamente pq hj moro em uma cidade que não tem ICNV. O que vejo é que existem muitas diferenças culturais e litúrgicas sim, mas o que importa é se o evangelho é o que foi pregado por Jesus. Nem sempre concordo com todas as liturgias, mas vou vendo, ouvindo, lendo a palavra e construindo minhas opiniões. Para a comunhão com os irmãos, denominações são irrelevantes, desde que não sejam heresias. Quando alguém me diz que é evangélico eu pergunto logo de qual denominação, para saber se lá é pregado a verdadeiro evangelho, independente de práticas litúrgicas. O conceito “evangeliquês” passa por grande crise e é bom q nos vejamos como cristãos, e só.

  9. Olá, Andrew! Muito me surpreendeu a atitude atribuída à um membro da igreja batista, ainda que não pentecostal! Sou batista à 28 anos, presenciei a transição da minha igreja do tradicionalismo para o pentecostalismo (leia-se o pentecostalismo saudável, ainda que com muitos equívocos no início) e sempre aprendi do meu saudoso pastor que, à despeito de denominações, somos partes de um corpo, corpo este que, ao meu ver, tem em seus membros um “modus operandi” diferente (exclua-se heresias) de modo a alcançar pessoas diferentes (não entenda como cristianismo ao gosto do freguês!!!). Falando por mim, membro de uma igreja batista pentecostal, liderada por uma pastora (algo que muitos não toleram), e que zela pelo ensino e pregação do verdadeiro evangelho, amo aos irmãos de outras denominações cristãs, e não tenho barreira alguma quanto à liturgia e teologia destes (não sou teólogo, graças à Deus! rsrs). Considero esse “Apartheid” uma triste e nociva manifestação de imaturidade cristã, visto que o sangue que verteu da cruz do calvário foi derramado para salvação de TODOS nós. Deus abençoe à TODOS!

  10. Olá, Andrew!Congrego na Assembleia de Deus desde minha conversão, amo os hinos do Cantor Cristão e do Hinário Evangélico (da Igreja Metodista) e acompanho a Igreja Nova Vida pelo rádio desde a época do Café Espiritual com o Bispo Roberto (minha Mãe ouvia e eu, que ainda era criança, passei a ouvir também). Tudo isso tem me ajudado muito na minha jornada de fé. Infelizmente diferenças e polêmicas têm gerado muita desunião entre o povo de Deus. Precisamos vencer essas barreiras pois vivemos dias difíceis nos quais está cada vez mais complicado pregar o evangelho puro e simples. Gostaria de acrescentar que participei de um culto na ICNV de Nova Iguaçu e me senti “em casa” rs! Muito bom o seu texto! Que Deus te abençoe sempre!

  11. Andrew, este é meio que o meu dilema. Sou da Assembleia de Deus desde que me conheço por gente. Há uns 5 anos atrás tive contato com o calvinismo e hoje posso agirmar que sou um “calvinista de 5 pontos”. de 640 hinos da Harpa Cristã, arrisco saber metade, assim como canto de cor hinos do Cantor Cristão e do Novo Cântico. Não sei o porquê, mas mesmo sendo assembleiano, aprendi a não demonizar outros irmãos e igrejas. Até porque, no meio assembleiano, há aquela mistura de “tradicional” com “moderno”, do hinário ao pop. Mas, ainda assim, parece que não posso dizer abertamente na igreja que sou um calvinista, muito embora eu lecione na EBD e expor o que creio seja inevitável. E me sinto meio “herege” quando, nas discussões na internet, demonizam os dons espirituais; como posso negar a experiência do batismo no Espírito Santo aos 13 anos de idade? direi que foi algo “da carne” pois isso destoa do meu calvinismo? enfim, em meio a tudo isto, sou grato a Deus pois, pouco a pouco, parece que as coisas estão mudando. Está havendo mais diálogo, mais interação, mais conversa entre as mais diversas linhas e posições. Que seja o início de uma grande obra! Abraços fraternos.

  12. Creio que a maior dificuldade seja diferenciar heresia das diferenças denominacionais. Compreender a diferença, ajuda a não ver o próximo como se fosse um leproso: Argh! Sou mais crente que você!
    Muito bom! Adorei o artigo! (Leio ,mas comento beeemm pouco, eu acho. XD). Deus te abençoe!

  13. Andrew, confesso que estive rindo metade do texto pelo fato de me encaixar perfeitamente na sua explicação. Sou de igreja pentecostal, creio nos dons do espírito e creio na pré-destinação e nos cinco pontos do Calvinismo. E fico feliz em ler os comentários acima e ver que há pessoas que não fazem ou pelo menos tentam não realizar tal ‘apartheid’.
    Infelizmente vivi a experiência de conviver com alguém que insistia em generalizar os pentecostais à denominação Assembléia de Deus. O camarada dava tudo e qualquer coisa para uma boa discussão a respeito de maus costumes – generalizados por ele – que tal denominação causavam em seus membros. E o pior e mais triste de tudo é quando há “debates” denominacionais em redes sociais. Isso causa um caos na mente dos não cristãos que certa vez fiquei constrangida em ter de explicar o motivo de badernas feitas no Facebook. O ‘apartheid’ cristão é vivo, infelizmente. E isto tem afastado pessoas de se tornarem amigos, afetando relacionamentos, e de levarem o evangelho ao mundo, o real sentido que Cristo nos direcionou a fazermos.
    Deus abençoe!

  14. Amigo, seu texto é completo, mas pra completar os membros da Cristã do Brasil afirmam que SÓ EXISTE UMA igreja, no mundo a CONGREGAÇÃO CRISTÃ o resto tudo é seita.
    Abraços de Antonio S. Sousa.

  15. Paz Andrew

    – Entre os presbiterianos, sou “estranhado” .
    Bem que te achei estranho mesmo! Rs
    Brincadeiras a parte.
    Olha muito bom seu texto, o exemplo da Conversa com jesus com a mulher Samaritana foi ótimo. E esse ‘APARTHEID’ CRISTÃO’ é muito questionado pelos ímpios, pelo menos comigo, pois sou sempre questionada pelas minhas colegas e haja assunto e conhecimento para explicar.
    Foi muito legal ler esse texto, nessa estrutura!

    ( logo, ainda te acho estranho) rsrs.

  16. Andrew, li e reli o texto… e analisando tudo isso, me veio uma frase em mente que um apóstolo aqui da minha cidade falou esses dias e penso que se encaixa perfeitamente ao que você quis dizer “Não sou pentecostal, e muito menos tradicional. Creio que sou integral.” (Ap. Luiz Hermínio) ….não é??

  17. Olá Andrew!

    Li este post e pensei em fazer um comentário, mas por se tratar de um assunto relevante, fui escrevendo e escrevendo… e ao invés de um comentário se tornou um post no meu blog, peço que leia. http://verdadecrista.wordpress.com/2012/10/15/a-torre-de-babel-dos-crentes/
    Entendo quando você diz que se sente constrangido e até com medo de abraçar um “irmão em Cristo” Mas, o que devemos fazer? fingir que não estamos vendo nada? Não Andrew, devemos fazer o Jesus faria. E sabe o que ele faria? “E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores.” (Lucas 19:45-46) Aceita o desafio?

    1. Não é bem assim. Por mais que eles as vezes me maltratem, continuam sendo irmãos. Temos que abraçar cada um deles e, no tempo certo, exortá-los em amor. Não estamos lidando com homens que deturparam o templo. Apenas irmãos que precisam entender melhor. Quem os ensinará?

      Abraço,

      A

  18. Creio que o problema seja saber diferenciar bem as coisas, os momentos. Vi que acima foi citado efésios 4 e com uma interpretação errada (falo com amor e considero o “comentarista irmão em Cristo rsrsrs). Nesse texto Paulo diz que Deus dá mestres a igreja com o objetivos de chegarmos à unidade da fé… Isso é muito importante! Devemos ter a consciência que a unidade da fé é um objetivo e como Jesus orou que fossemos um (e nenhuma oração de Jesus não é atendida) eu creio que um dia isso será uma realidade. Mas para isso o debate é imprescindível, e aí entra a questão de saber diferenciar as coisas que citei no início.
    Hoje em dia há uma demonização dos debates… Debate sobre doutrina é coisa de quem não tem amor, que gente chata que só quer saber de estudar e não tem piedade, motivo de brigas etc, etc, etc… Existem pessoas que são grossas e não sabem debater, ou fazem disso uma disputa o que atrapalha muito? sim, infelizmente existem muitas. Mas isso não faz do debate uma coisas intrinsecamente ruim.
    Se estudássemos mais, conhecêssemos melhor a Bíblia (teologia), e debatêssemos mais e de forma correta, iríamos aprender a interagir de uma forma mais amistosa e agradável, amistosa e proveitosa com irmãos com outra orientação teológica. Saberíamos diferenciar melhor o que é heresia (que devemos sair do meio deles, como diz Paulo) e o que não é e por isso não impede a comunhão.
    Eu sou reformado histórico (hoje sou conhecido como teonomista) e ainda não me declaro pós-milenista por não ter tido tempo de estudar o suficiente para defender minha posição (odeio falar que tenho determinada opinião se eu não souber sustentar ela e “prová-la” através da palavra) e assim em termos de teologia sou a minoria, da minoria, da minoria… rsrss
    Congrego na ICNV, que se considera pentecostal. Por existirem poucos que pensam como eu aprendi a conviver com os que pensam diferente.
    Outra diferenciação necessária é se o debate é caseiro (entre cristãos) ou é com incrédulos. Quando falo sobre isso com não cristãos, ressalvo hereges famosos (Macedo e cia), mas falo como se todos estivéssemos no mesmo “time” apesar de frisar que há multiplicidade de opiniões entre os irmãos.
    Na minha opinião, tanto a multiplicidade de opiniões, como a falta de habilidade em lidar com isso vem de conhecimento ralo de teologia e da história da igreja. E creio que esse assunto não desenvolve porque as pessoas tem uma opinião muito equivocada quando ao debate, que tem uma função importantíssima nessa interação. Estou com pressa então divaguei, fui repetitivo e escrevi demais… Desculpa, pressa realmente é inimiga da perfeição. Ignore as repetições e informações desnecessárias e espero que sobre alguma reflexão boa sobre esse problema apontado.

  19. Eu sou de uma denominação calvinista *bem conservadora, e separatista… toda vez que alguém diz que é pentecostal escutamos: espírita/religiões afro, mixada com cristianismo; quando alguém diz Batista escutamos: hereges, falsa piedade, anabatistas, cátaros; quando alguém diz metodista escutamos: arminianos efeminados, ladrões da Glória de Deus; quando alguém diz neo-pentecostal, escutamos: macumbeiros, ladrões, semi-pagãos; quando alguém diz anglicano, escutamos: gay; quando alguém diz que é presbiteriano calvinista de outra denominação, escutamos: vasos de desonra, endireitem-se ou morram no pecado!; quando alguém diz católico, escutamos: pagãos, já era; quando alguém diz espírita, escutamos: pacto com o diabo; quando alguém diz macumbeiro, ficamos tontos; quando alguém diz ateu, HEY peraí, não andamos com esses tipos de pessoas, aí já é demais!!!

    Conclusão: tem algo de errado comminha Igreja…

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