O Evangelho não tem absolutamente nada a ver comigo

“E vocês? “, perguntou ele. “Quem vocês dizem que eu sou?”

Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Respondeu Jesus: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino dos céus; o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus”. Mateus 16.15-19

Mais de seis bilhões de pessoas no planeta concordam em uma coisa: eu quero ser feliz. Cada indivíduo da sociedade vive segundo aquilo que lhe foi ensinado (se for manipulável) ou de acordo com aquilo que encontrou ser verdade (se for independente e original). Vivemos no meio de uma pluralidade infinita de pensamentos e de ideologias às quais cada um se alista de acordo com o seu critério pessoal. Com tanta gente no mundo pensando tanta coisa diferente, como é que uma só pessoa pode assumir uma única posição para sobrepor todas as outras e assumir conhecer “A Verdade”?

É um tanto complicado. Aprendemos que o importante é ser feliz, que emoções eu vivi, “I can’t get no satisfaction”, cada um no seu quadrado… Cada um tem direito à sua opinião, e ninguém pode tirar isso de você. Mas, ao nos depararmos com uma opinião contrária, logo, é a outra pessoa que deve abrir mão da sua opinião se ela estiver errada, afinal, eu estou certo.

Você achou esse último parágrafo meio confuso? Pois foi. Eu tenho direito à minha opinião, à minha versão dos fatos contanto que ela não interfira com a opinião de outra pessoa. Mas isso é inevitável! Logo, toda ideologia é pessoal, é relativa a uma corrente de pensamento que surgiu de uma pessoa. E de pessoa para pessoa, nenhum único ser humano pode se colocar acima de outro, pois todos somos falhos e limitados. Afinal, tudo é relativo. O irônico é que ao afirmar que uma pessoa não pode ser detentora da verdade, aquele que “reprime” o outro está fazendo justamente o que condena: está colocando a sua verdade (de que não há verdade) sobre a da outra.

E então entram os cristãos, aqueles que tomam a crença de Cristo para si. Assim como toda ideologia, esta é apenas mais uma numa multidão a ser avaliada. Por mais que Jesus diga que ele é o único caminho para chegar à salvação, somos desafiados a relativizar a nossa fé. Por exemplo, ao falarmos sobre o homossexualismo ou o aborto, o argumento é: “E se fosse o seu filho? E se você tivesse sido violentada?” A sua crença é aplicada à sua pessoa, à sua experiência pessoal. Acontece que o Evangelho não é algo pessoal. O cerne da nossa fé não se refere a um indivíduo, logo, não é apenas uma opinião.

Na passagem acima, Jesus pergunta aos seus discípulos quem eles dizem que Cristo é. A resposta vem de Pedro, porém Jesus diz:

Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.”

A resposta correta não veio de um homem, mas sim, de Deus. E mais, Cristo diz que é apenas a partir dessa afirmação que a sua igreja será edificada. Que pedra é essa? A pedra fundamental da igreja, aquela que não será vencida pelas portas do Hades é a pedra que vem a partir de uma revelação do alto:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Como a igreja se tornou tão facilmente deixada de lado nos dias de hoje? Ela personalizou o Evangelho, ela relativizou a Palavra de Deus. A Palavra deixou de ser algo vinda do alto e passou a ser a opinião de um grupo de homens. Sendo apenas mais uma visão humana, ela pode ser colocada junto com tantas outras que têm tanta moral para pregar quanto ela.

Então como é que podemos responder ao mundo usando o Evangelho? Simples. Baseie a sua vida naquilo que não vem de você e sim de Deus. Somente quando nos baseamos em algo que é maior que nós é que temos vigor e verdadeiro poder. Paulo reforça isso na primeira carta a Timóteo quando ele diz:

“Escrevo-lhe estas coisas embora espere ir vê-lo em breve; mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Deus foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória. 1 Timóteo 3.14-16

Mais uma vez, temos a referência à igreja do “Deus vivo”, mesmo termo usado por Jesus no evangelho de Mateus. A igreja que é a coluna e fundamento da verdade está baseada no quê? Deus foi manifestado em corpo (por meio de Jesus), justificado pelo Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória.

O que isso quer dizer? Significa que a igreja, a casa de Deus, só pode ser considerada a coluna e fundamento da verdade enquanto ela afirmar Jesus Cristo em sua totalidade, desde o nascimento à crucificação à ressurreição. Qualquer versão de Cristo que não afirmar esses três pontos (e suas respectivas conseqüências) não é o Evangelho.

Quando me deparo com um assunto mais complicado, mais controverso, meus amigos não cristãos partem logo para a seguinte pergunta: O que VOCÊ acha disso? Como cristão, não importa o que eu acho. Se a Bíblia afirma uma coisa e eu outra, então contrario a Palavra d’Ele. E então… qual é a minha opinião? Não tenho opinião. O que tenho é aquilo que é revelado na Palavra de Deus.

A igreja de hoje peca por se deixar levar pela argumentação do mundo, um processo de discussão que afasta Jesus do centro. Ao tirarmos o Pai, o Filho e o Espírito Santo da questão, perdemos a nossa força, nossa proteção, aquilo que garante que as portas do inferno não prevalecerão. E quando nós perdemos Cristo, podemos decretar, amarrar, declarar, profetizar e proclamar o quanto quisermos… e seremos sumariamente derrubados.

Então… quando alguém me pergunta sobre o que eu como cristão penso, eu digo: não tem nada a ver comigo. Posso lhe dizer o que está na Bíblia, mas a minha opinião não importa. Por que? Porque o Evangelho de Deus não tem nada a ver com o que eu penso. Tem a ver com o que Ele pensa.

 

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12 comentários sobre “O Evangelho não tem absolutamente nada a ver comigo

  1. Andrew, sempre que estou falando do evangelho pra alguém, essa pessoa fala: “essa é a sua opinião. Não é a minha”. Aí sempre respondo isso: “não é a minha opinião. Será que não entende? A minha diferença pra você é que faz tempo que deixei do ‘eu acho’ e ‘minha opinião é…’ para ver o que Deus acha e a opinião de Deus. O que falo é segundo às Escrituras. E aí é onde está: você crer nas Escrituras? crer que é a Palavra de Deus? Crer nela como um todo? Então nossa conversa precisa partir de um outro ponto: a veracidade da Palavra de Deus.”
    Eles sempre dizem que creem. Aí faço: “Então como você crer e não age conforme você crer? Como você diz que sabe e não obedece? Tem alguma coisa errada…”
    No fim a Palavra de Deus se cumpre: o homem natural não entende as coisas espirituais. E é onde temos que orar por sabedoria, estudar pra ter conhecimento da Palavra e com mansidão e oração pedir ao Espírito Santo pra revelar a Verdade àquela mente escravizada pelo pai da mentira.

    Grande abraço! Deus te abençoe

    “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
    1 Coríntios 2:14-15

  2. O mundo espiritual precede as coisas materiais, mas as igrejas, hoje, perpetuam coisas do dia a dia do povo. No mundo de preocupações terrenas de ganhos e perdas, disputas sociais tremendas, permeável por uma politica de governo pobre. Verdadeiros aventureiros, que infelismente embretaram nas igrejas cristãs, com fins de lucros monetarios, tornamdos-se manipuladores da palavra de Deus.
    Honra e gloria ao Senhor Jesus Cristo, Deus te abençoe Andrew.

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