Teologia do ‘nada a ver’

“O ideal cristão não foi testado e reprovado. Ele foi considerado difícil e por isso permaneceu sem ser experimentado.” G.K. Chesterton

Sou daqueles garotos das antigas, sabe, aquele que curte ficar em casa com os pais, não gosta de ficar na rua até muito tarde, meio antiquado. Quando ouço meus pais falarem sobre como a era juventude deles, me dá uma certa nostalgia… apesar de se quer ter vivido aquilo que eles descrevem. Eu penso nos conceitos que estavam por trás daquilo tudo, dos costumes. Por exemplo: pedir permissão do pai pra namorar, namorar na presença dos pais, voltar para casa num horário adequado. Se quer cogitar coisas do tipo hoje em dia é quase uma heresia. Coisa de velho mesmo…

Mas… por outro lado, ouço os relatos de jovens que ficam preocupados de estarem grávidas. Não estou falando de jovens ateus. Estou falando de jovens cristãos. Cristãos. Mesmo. Só eu que fiquei chocado com isso? Minha pergunta nessa história toda não foi sobre o porquê não usou camisinha nem nada do tipo… a pergunta foi: como é que uma ordenança bíblica explícita se tornou algo tão corriqueiro ao ponto de a única preocupação ser a gravidez? Ou melhor… a famosa frase do “eu sei que estou errado, mas, sabe, Deus perdoa e o que importa é o coração… certo?”

Errado.

Sempre aprendi coisas do tipo: não se deve se permitir estar sozinho com a sua namorada num ambiente longe de todos. A regra não era “não pode fechar a porta do quarto” ou “quando vocês estiverem sozinhos em casa sem mais ninguém, nada de sair da sala, ok?”. Aliás, a regra se quer era uma regra. Era um conceito. Abstende-vos de toda a aparência do mal.” (1 Ts 5.22) Como cristão, o alvo final não é apenas não pecar, mas fazer tudo que for possível para que eu não peque. Então, se eu me permito ficar deitado na cama de baixo de um cobertor com meu namorado sem blusa ou calça às duas da manhã enquanto nos acariciamos com a luz apagada… não tenho o mínimo direito de dizer que “a tentação sexual é forte demais e eu não consigo”. Provérbios fala (em relação à mulher adúltera) que não devemos se quer passar na rua na qual ela mora. Me perdoe a descrição detalhada, mas já ouvi relatos desse tipo. Mas por quê tentar esconder tais vontades se Deus me deu elas? Bem, leia Romanos onde Paulo fala sobre aqueles que “Deus entregou às suas paixões”.

Esse exemplo da vida sexual é apenas uma síndrome de uma condição maior. Escolhi falar sobre esta porque é uma das mais frequentes. O cristão de hoje é igual a todos as outras pessoas, menos os cristãos! Basta dar uma olhada nas páginas de facebook de tantos que você verá as fotos em festas regadas a bebidas, meninas com roupas das mais decotadas possíveis, palavrões a rodo, “curtindo” os vídeos mais indecentes possíveis. Tudo isso sob o pretexto de “mas o que importa é o coração. Só Deus pode me julgar!”. Não estou julgando. Estou apenas comparando as ações vistas com o que a Bíblia diz. Se você se sente julgado, bem, é… sinto muito, mas o problema não sou eu.

Vivemos a teologia do “nada a ver”. Não estou falando de uma série de regras e costumes que deveriam reger a vida de um discípulo de Cristo. Estou falando sobre o conceitos e princípios cuja manifestação é aquilo que tantos enxergam como “regras ultrapassadas”. Não há mais a preocupação com a escandalização de um irmão ou a aparência do mal. A nova regra é “como Deus vê o meu coração”. Bem… se o que a sua Bíblia diz não lhe causa nenhum constrangimento, então me empreste, por favor… porque a minha é difícil demais de seguir plenamente.

O cristão hoje não vive mais como cristão. Não estou falando da aparência no que se refere ao comprimento da saia, por exemplo. Estou falando sobre uma renovação de coração e de vida que leva o crente a viver de modo que ele se destaque e seja luz em meio às trevas. Cadê o sal para dar gosto? Cadê a luz? Se perderam na teologia do “nada a ver”. Não há mais preocupação em servir à Palavra de Deus, mas sim de trabalhar a Bíblia de tal maneira que ela atenda a todas as minhas vontades. Nunca vi uma Bíblia dessas, mas imagino que seja bem fininha, faltando um monte de texto.

Não quero ser legalista nem acusador. Eu apenas anseio por um povo que vive, pensa e ama como Cristo amou para que o nome d’Ele seja glorificado da maneira que merece.

 

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26 comentários sobre “Teologia do ‘nada a ver’

  1. Poxa, você é um cara surpreendente, admirável mesmo, parabens, continue assim, pelo amor de Deus, pois existem poucos como você., eu até pensei em não comentar mais nada, más, não tem como ver a diferença entre a sua conduta e a de tantos jovens que nos rodeiam e até nos pedem conselhos, que bom que existem jovens como você, desejo que existam muitos outros assim, e de ambos os sexos! Abraços, irmã Graciete

  2. Olá Andrew,
    Sempre acompanho os seus posts.
    A teologia do “nada a ver” reina entre aquelas pessoas que não ligam para os mandamentos de Deus., isso é um fato! Mas ouso a dizer que a cabeça e o coração desse cristão que rege a sua vida! Se estamos grudados em Deus e temos como parametro a Bíblia, dificilmente caímos. Mas se deixarmos as pequenas falhas fazerem parte do cotidiano, acharemos que tudo é nada a ver!
    E essa é uma oração diária que faço para que a minha natureza mundana não se corrompa e que eu reme sempre contra a maré, pois o que normalmente a maioria diz, geralmente, é contrário a palavra de Deus! Eu quero sempre entrar pela porta estreita!
    É fácil? Definitivamente Não!!!!!
    Que Deus tenha sempre misericórdia de mim e cegue os meus olhos para o que não vêm SDele.

  3. Andrew, gostei imensamente do seu texto. Vou compartilhar com meus adolescentes. Quanto à conduta, de fato, a sua admirável, ainda que não haja nada em nós que sendo bom venha somente de nosso esforço, é válido louvar sua indignação. Os cristãos parecem ter esquecido do: foge das paixões da sua juventude. Para além da teologia do “nada a ver” é também a teologia do “eu mereço ser feliz”, do “eu primeiro, jesus se der tempo”. Lembrei de uma canção: “a que Jesus você segue, a que Jesus você serve, se efésios diz que devemos imitar a cristo, por que parecemos tanto com o mundo?”

    Que com nossa indignação possamos convidar outros a caminhar conosco para Cruz, a caminhar uma jornada de santidade, aquela para a qual Jesus nos chamou: negue-se a si mesmo.

  4. Mais um que se sente o santo. O que você está fazendo é julgar sim. “Se você se sente julgado, bem, é… sinto muito, mas o problema não sou eu.” Ah, vá! Que gracinha, então eu poderia beber até me embriagar e alegar “Não quero escandalizar ninguém, se você está escandalizado, bem, é… sinto muito, mas o problema não sou eu.”
    Assim é fácil, né, camarada??

    Lucas 6:37

    Não julgue. Ore. Porque alfinetar desse jeito também não ajuda em nada.

    1. Caro Sam,

      Em primeiro lugar, não me sinto santo. Muito pelo contrário. O dia que eu começar a me sentir santo, estarei em sérios apuros.

      Lhe pergunto… quando alguém fura um sinal e outro aponta o seu erro, este está julgando o outro? Não quero acusar ninguém. Quero sim apontar para o fato de que muitos hoje justificam seus argumentos com palavras que não são bíblicas. Se quando cito a Bíblia ela se sente acusada, então volto repetir que a culpa não é minha por supostamente “acusar”.
      Referente ao “eu poderia beber até me embriagar e alegar ‘Não quero escandalizar ninguém’.”? Bem… a respeito disso a Bíblia fala claramente em Ef. 5.18 (“Não vos embriagueis com vinho no qual há dissolução.”).

      O mesmo capítulo de Lucas que você citou fala mais adiante (v. 47,48): “Por que vocês me chama, ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo? Eu lhes mostrarei com quem se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica.” No post acima, falo justamente daqueles que “vêm a mim, ouvem as minhas palavras… mas não as praticam.”

      Apontar um erro com base bíblica não é julgamento e sim exortação.

      Em Cristo,

      Andrew

      1. Inspeção de frutos não é julgamento!!!!!!! Se eu tomar por base que tudo o que eu falar sobre a atitude de alguém é julgamento, quem irá exortar alguém? Que irá apontar um erro “em amor”? O problema é quando passamos a apontar erros, não sentindo piedade e amando o ser errante, mas apontando e culpando-o. E mais, o grande problema da igreja de hj, é que poucos apontam pecados, mas preferem dar espaço a maldição da teologia da prosperidade!

        Falemos sim, apontemos sim, mas….. em amor!

  5. Gostei muito das suas colocações, e se pudesse te convidaria para dar uma palavra a meus adolescentes aqui da icnv jd. catarina novo!

  6. O discurso do “Nada a ver” ou “politicamente correto” me parece o mesmo. Coisa do mundo. Gostei muito de suas colocações. Quando mais novo pedi ao meu pastor para orar para eu ter um relacionamento, ou como diziamos, “uma varoa”. Quando Deus me deu, pedimos para abençoar o nosso relacionamento e nos aconselhar. Quando decidimos noivar pedimos para abençoar as nossas alianças e por fim ele celebrou o nosso casamento. Em todo este processo faziamos questão de colocar nas mãos de Deus nosso relacionamento e também pedir a orientação daquele que entendiamos como sendo o nosso pastor. Não acredito que isto seja coisa do passado, tenho certeza que muitos principios cristãos ainda são praticados por crentes fieis, afinal existe sempre um remanescente.
    A paz.
    Luiz Felipe.

  7. Excelente teu texto. Procurava uma palavra assim para compartilhar no meu blog com meus leitores mais jovens. Falar a verdade, ter uma postura firme pautada na Palavra parece ser loucura para muitos crentes nos dias de hoje. Esquecem que a Palavra de Deus é Eterna e que seus principios são válidos em todas as épocas. Devemos lembrar das palavras de Pedro: “importa obedecer a Deus e não a homens” (Atos 5:29)

    Sua atitude é correta e corajosa, poucos conseguem e muitos caem em tentação.

    Deus te abençoe e te ilumine cada vez mais.

    Meu nome é Paulo Cesar Amaral do blog PCamaral.

  8. Olá, Andrew =)
    Quando praticamos as palavras de Jesus, verdadeiramente o amamos. E quanto amor posso encontrar por aqui!
    Visitei a Vinacc e as palavras do Bp. Walter foram realmente edificadoras. Parabéns pelo belíssimo trabalho (de ambos).
    Que possamos acreditar, cada vez mais, no infinito amor de Deus por nós!

  9. Fala aê Andrew, oh eu aqui lendo mais um post..rs é que realmente são bons!!
    Fiquei admirado com a forma com que falou, porque de fato, os princípios bíblicos estão banalizados. Como você bem citou, muitas vezes a menina grávida não está triste ou preocupada porque feriu um mandamento, mas sim porque pode estar grávida. Infelizmente os valores estão se invertendo, e a “igreja” vai se adequando ao mundo = /
    Mas, como foi com Elias (1Reis 19) Deus tem os seus remanescentes, e nós não podemos nos conformar com esse mundo (Romanos 12.2) mas lutar e fazer a diferença !!
    Abraço!

  10. Olá Andrew gostei muito do seu post, uma semana antes do carnaval (2012), preguei algo parecido para a juventude em minha igreja. Estarei lendo o conteúdo desse post para os jovens assim que tiver uma oportunidade e ainda estarei compartilhando seu texto em meu blog e é claro dando os devidos créditos.
    Hoje em dia é muito difícil vermos jovens com os pés firmados na palavra de Deus, se manter fiel diante das facilidades e tentações expostas pelo mundo. Porem quando nós os pais ensinamos nossos filhos o caminho correto a ser seguido, quando damos um verdadeiro exemplo de fidelidade e honestidade, quando nos colocamos como pais de verdade com o devido cuidado para educar custe o que custar, aí sim, teremos exemplos assim como você.
    Porem sua responsabilidade aumenta, seu um exemplo requer submissão, reflexão, dedicação e, sobretudo humildade. Sei que essa não é sua intenção, mas não há como se tirar isso de você de um jovem com esse formato de vida. Cuide-se, pois as lutas virão e juntamente com elas, as tentações. Lembrem-se sua vida está apenas começando… Existe uma jornada pela frente e o Senhor será contigo se permaneceres com Ele.

    Link da postagem: http://wladimyrfernandes.blogspot.com/
    Um forte abraço
    Wladimyr Fernandes

  11. Glórias a Deus, por ainda manter “sete mil dos que não se ajoelharam a baal”.
    Irmão andrew, que o senhor continue lhe abençoando e lhe capacitando, a manter-se fiel e honrado…às vezes pensamos que somos alienígenas, nesse mundo…que por sinal entrou e continua entrando em nossas igrejas…a célebre frase:o que é certo tornaram errado e o errado tornaram certo, tem sido uma constante aos nossos olhos e ouvidos.
    Porém, nós não nos curvaremos ao mundo.
    Fiel e Poderoso é o Senhor, para com a sua amada igreja, sua noiva!!!
    Abração irmão

      1. Então, eu já coloquei seu texto no meu blog, já tem pessoas até curtindo e divulgando, eu coloquei o nome do autor e e seu blog tudo certinho pois escrevo e também acho correto que coloquem o nome do autor. Se pra você estiver bem assim, já coloquei ok. Você escreveu tudo e mais um pouco do que eu gostaria de escrever para os jovens pois trabalho com adolescentes á muitos anos, ótimo texto.

  12. olá Andrew
    talvez vc seja o olho no corpo de Cristo, tem o dom de ver o perigo e alertar para que o corpo não sofra nenhum dano; talvez seu dom é o de exortar, pois vc o faz muito bem e assim ajudará todo o corpo se manter saudável. Permaneça fiel a Cristo e aos seus ensinamentos.
    Paz.

  13. Nossa! A cada texto seu me impressiono mais! Vou passar uns dias por aqui até ler tudo hehe. Cara, q Deus te abençoe mto.!
    Sobre o texto: realmente, o face tem sido uma vitrine de “cristãos” com vidas confusas, como em Tiago 4, amizade com o mundo…

  14. Realmente é uma verdade, mas o nada haver se combate com discipulado não com exposição conheço pessoas que se acham cheias de doutrina espiritual e vive dando calotes, humilhando menos favorecidos e impedindo outras de viverem a graça por causa de suas visões legalistas ao extremo então acho que precisamos tratar mais e julgar menos ou como prefiro dizer precisamos formar em nossas igrejas mais médicos e menos juízes.

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