A cilada do louvor gostoso e atraente

Além de escrever aqui no blog, também contribuo para o Cante as Escrituras, um site dedicado a contribuir para o louvor e a música bíblica e fiel às Escrituras. Você pode conferir meu último texto, abaixo:

A-Cilada-do-Louvor-Gostoso-e-Atraente

Recentemente, enquanto cortava o cabelo, surgiu um papo sobre igrejas e a confusão que causavam nos arredores. O gerente (que não é crente) disse o seguinte:

“Cara, passei na frente de uma igreja lá perto de casa. A porta tava aberta e lá dentro deu pra ver que tava tudo escuro, com aquelas luzes estroboscópicas e um som altão. Parecia mais uma boate! É pra ser boate ou igreja? Nem tinha cara de igreja.”

Fiquei com vergonha de estar numa posição de ter que defender algo sem defesa. Me resumi a concordar meio cabisbaixo.

A verdade é que aquela afirmação me incomodou profundamente. A questão não é tanto “Que cara deve ter a igreja?”, já que temos igrejas com diversas “caras” e essa é uma conversa para outro espaço. Mas o que me tira do sério em relação a isso é o fato de eu conhecer os argumentos por trás daquela “igreja” (ou boate, segundo o gerente). “Precisamos de uma música legal para atrair os jovens! Precisamos atrair os que não são crentes! Assim fica ‘mais fácil’ louvar, pois me sinto mais livre!”

Já ouvi todos esses argumentos antes… Mas não consigo defender nenhum deles. Aliás, não poderia discordar mais! Mas não basta discordar, apenas. Tenho que dar uma explicação.

Para ler o restante do texto, clique no seguinte link: A cilada do louvor gostoso e atraente

 

Licença Creative Commons

This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “O Blog do Andrew”.

Confissões de um filho de pentecostal reformado, ou calvinista continuísta, ou pentecalvinista

cropped-bible-on-table.jpg

A primeira pergunta que ouço quando digo que sou um Pentecostal reformado é:

– Como é que é isso?

Respondo:

– Simples! Fui predestinado a falar em línguas!

Risadas nervosas e cara de dúvida geralmente seguem.

Predestinado a falar em línguas? Mais ou menos. Eu, pessoalmente, nunca falei em línguas. Aliás, lá em casa, sou o único que nunca recebeu este dom. Cresci ouvindo meus pais orando em línguas (durante o louvor, orando por alguém na igreja, quando eu passava pelo quarto deles e estavam intercedendo, por exemplo). Até minha esposa ora em línguas, mas isso ela guarda para sua devoção pessoal. Me contento em saber que John Piper sempre pediu a Deus por esse dom, mas nunca falou em línguas.

Como bom filho de pastor, cresci ouvindo as histórias do meu pai na mesa após o culto de domingo, nas conversas com pastores convidados no gabinete ou numa refeição e outros momentos do tipo. Nasci e cresci na Igreja Cristã Nova Vida. Vivi um pouquinho só da história do meu avô, Roberto McAlister, pois ele morreu quando eu tinha sete para oito anos de idade. Lembro bem quando, após a sua morte, meu pai foi iniciar seu mestrado no Reformed Theological Seminary (RTS) em Orlando, no EUA. A maioria do curso era à distância, mas algumas aulas tinham que ser presenciais. Então, meu pai coordenava essas aulas com minhas férias do colégio e nós então passávamos um mês por lá todo ano para acompanhá-lo enquanto estudava. Ele chegava dos estudos exausto e eu ouvia algumas histórias dele com nomes que só viriam a fazer sentido anos depois. Ouvi a respeito de um tal de R.C. Sproul que atropelava seus alunos com seu conhecimento e, às vezes, com seu temperamento explosivo. Alguns outros nomes acabaram entrando no meu inconsciente, de certa forma. Scott Swain, Bruce Waltke, Ron Nash e tantos outros.

Ao longo dos anos, fui ouvindo as mais variadas histórias, geralmente ao redor da mesa. E aquilo tudo nunca fez muito sentido para mim. Anos mais tarde, fui a um acampamento da Mocidade Para Cristo (MPC) em Belo Horizonte e eu ouvi um amigo meu discutindo teologia com um irmão presbiteriano que cismava em tirar sarro da nossa cara. “Como assim vocês são pentecostais e reformados, meu?” Eu não sabia o que aquilo queria dizer, pois meu despertamento para a teologia veio bem mais tarde. Mas, ouvi as diversas piadas como: “Fiz uma oração pentecostal e levantei minhas mãos e disse ‘em nome de Jesus’!” E, claro, todos olhavam para eu e meus amigos “do fogo” e riam.

Mais alguns anos mais tarde, fui à minha primeira conferência Fiel para jovens. Lá, foi o início dos primeiros choques doutrinários. Fui apresentado a um sujeito que me perguntou se eu era batista ou presbiteriano. “Pentecostal”, respondi. Ele fechou a cara para mim. No ano seguinte, o confronto foi um pouco mais tranqüilo.

– Presbiteriano ou batista?

– Pentecostal.

– Mas, então… o que você tá fazendo aqui?

Já me acostumei com esse tipo de reação. Nem me espanto mais. Aliás, já até espero tal atitude. Em uma ocasião, ao conversar com um pastor BEM reformado, me foi sugerido que não mencionasse minha denominação, muito menos o fato de eu ser baterista. Eu não acatei à sugestão. Mas, por incrível que pareça, aquela conversa durou umas boas horas e ao final, nos abraçamos com fortes tapas nas costas como irmãos de longa data.

“Descobrindo” as Doutrinas da Graça

Boa parte dos novos reformados de hoje assistiram um vídeo do Paul Washer ou do John Piper e, de repente, se converteram à Reforma. Seus olhos foram abertos e finalmente enxergaram, como se fosse pela primeira vez, o Evangelho da graça. Eu não tive essa experiência.

Durante minha juventude, meu irmão já tinha iniciado seus estudos na Wheaton College, nos EUA (mesma faculdade onde se formou o Dr. Russell Shedd). Durante suas férias, ele voltava para casa e eu acompanhava as conversas dele com meu pai. (Como eu disse, meu despertamento para a teologia foi tarde) Eu não entendia boa parte daquilo, mas toda vez em que se falava a respeito de “soberania de Deus” e “predestinação”, na minha cabeça eu simplesmente entendia: “Ok, então Deus é soberano em seu perfeito amor e justiça e rege tudo segundo a sua vontade. Beleza! Faz sentido.” Aquilo não me causava muito espanto. Quando aprendi a respeito das doutrinas da graça, eu não tive que desfazer todo um sistema doutrinário na minha cabeça. Aquilo tudo simplesmente fazia sentido para mim. A minha esposa, por outro lado, veio de berço neopentecostal e no meio do caminho “se converteu”. Ela teve um dever de casa que eu não tive. Às vezes penso que eu queria ter tido uma experiência dessas, pois o processo de “descobrir” as doutrinas pela Palavra é algo riquíssimo.

O cruzamento de Azusa com Genebra

Hoje, já formado no seminário, já tendo lido umas boas obras como a Teologia Sistemática do Franklin Ferreira, “Doutrinas da Graça” do James M. Boice e “Dons Espirituais” do Sam Storms, o que sempre me foi familiar hoje tem mais miolo, por assim dizer. Meu pai conheceu o ministério Ligonier quando eu tinha oito anos. Ele começou o mestrado pouco tempo depois disso. Então, o meu crescimento já foi dentro de uma tradição “em reforma”. Quando finalmente cheguei a uma idade de estudo e descobrimento próprio, eu já estava bem acostumado com tudo isso. Foi só depois, ao sair dos arraiais da Nova Vida que me deparei com o choque entre as culturas, doutrinas e denominações em que cresci. Minha mãe é de berço batista, meu tio membro da Batista do Morumbi, minha tia da Presbiteriana do Planalto em Brasília… enfim, minha cabeça sempre foi “multidenominacional”. Mas, obviamente, o berço pentecostal é o meu lar. Mais do que isso, o pentecostalismo reformado é onde mais me sinto em casa. Sou filho de americano com brasileira, nascido e crescido no Rio de Janeiro numa escola americana mais próximo do meu avô canadense que do avô pernambucano. Ou seja… eu SEMPRE vivi entre duas culturas, não pertencendo completamente a uma só delas. Meu inglês é fluente e natural de lá e sou um pouco frio no traquejo, mas na hora de escolher comida eu quero mais é escondidinho de carne seca com pimenta malagueta e pudim de sobremesa (e talvez uma Paçoquita para acompanhar o café).

Vai entender…

Tudo isso para dizer: sou fruto de culturas aparentemente conflitantes. Estou em casa entre tradições distintas e, com isso, me sinto na total liberdade de pegar de ambas o que mais me parece saudável e verdadeiro. O que mais me espanta na convergência de tradições são aqueles que dizem que eu não existo, que sou uma aberração ou até pior, um herege.

Pois bem… O meu consolo é que hoje, cada vez mais, cresce esse número de supostos “hereges” como eu que não se sentem à vontade dentro de uma ou outra tradição doutrinária, estritamente. Sem abrir mão daquilo que é conservador e fundamental às Escrituras e à confissão cristã protestante, esse corpo cresce em vigor numa espiritualidade que considero viva e eficaz, e constantemente em busca da reavaliação bíblica a fim de se manter fiel a Deus e à Palavra (como bom reformado) sem perder a sede pela presença sentida do Espírito Santo diariamente (o sapatinho de fogo chega a quicar).

Para aqueles que desejam conhecer melhor esse “vão” denominacional que eu chamo de lar, recomendo abaixo alguns recursos para ajudar na caminhada. Esta não é uma lista exaustiva, apenas “para início de conversa”.

Livros:

“Doutrinas da Graça” de James M. Boice & Philip Ryken

A melhor e mais completa introdução às Doutrinas da Graça que já li.

“Dons Espirituais” de Sam Storms

Uma ótima introdução ao tema, para quem está começando a pensar a respeito dos dons espirituais. O autor é calvinista e crê na continuidade dos dons.

Youtube:

ICNV Catedral, Bp. Walter McAlister, Pr. John McAlister, Pr. Marcelo Maia

Canal do Youtube da igreja onde congrego com todas as pregações do meu pai, meu irmão e do pastor auxiliar da Catedral.

Curso livre:

O Pentecostal Reformado, com o Bp. Walter McAlister e Pr. John McAlister

Este curso inédito falará a respeito do que é e no que crê o Pentecostal Reformado. É um curso livre com ou sem provas (dependendo da preferência do aluno) que pode ser cursado à distância ou presencialmente. E, o melhor, é bem acessível.

 

 
Licença Creative Commons

This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “O Blog do Andrew”.

Porque todo cristão deveria observar a Quaresma

Este texto foi escrito por Ann Swindell e tirado do site da revista RELEVANT, onde foi publicado no dia 10 de fevereiro de 2016. Você pode acessar o texto original tanto como uma série de outros artigos em inglês (que recomendo enfaticamente) aqui


lent-cross

 

Historicamente, a Quaresma é o período que antecede a Páscoa no calendário da Igreja e geralmente é tida como um momento de reflexão e arrependimento. É um período de preparação, espera e recordação.

Mas a Quaresma é importante? Será que vale a pena observar – ou pelo menos reconhecer – especialmente se, como eu, você não faz parte de uma tradição litúrgica? Eu acho que sim. Aqui estão quatro razões porque a Quaresma é importante e como ela pode nos apontar à verdade do Evangelho de maneiras práticas e significantes:

A Quaresma é uma recordação da nossa necessidade de arrependimento

Arrependimento não é apenas uma palavra atraente. Arrependimento é um chamado para nos redirecionarmos e afastarmos das nossas práticas pecaminosas. Significa, primeiro, o reconhecimento de que somos pecadores e então dizer não ao pecado. Mas o arrependimento está no centro do cristianismo. Aliás, não podemos sequer seguir a Cristo sem nos arrependermos do nosso caminho pecaminoso e escolher o caminho d’Ele (Atos 2.38).

A Quaresma é um período de reconhecimento da nossa necessidade constante e diária por arrependimento e, portanto, da nossa necessidade por um salvador. É importante lembrar o quão desesperadamente precisamos ser salvos do nosso pecado e que Jesus é a única esperança que temos para essa salvação. Essa realidade nos fundamenta na bondade e no amor de Cristo.

Durante a Quaresma, diminuímos os excessos

Tradicionalmente, os cristão têm considerado a Quaresma um tempo em que aquilo que é supérfluo é retirado para que sejamos lembrados da necessidade perante e por Deus. Cristãos ainda fazem isso hoje, abrindo mão de carne ou chocolate, ou abstendo de outros prazeres e lazeres, como assistir televisão.

Ao tirarmos coisas que desviam nossa atenção e alimentam nossos anseios, o período da Quaresma nos convida a tratar daquilo que realmente está acontecendo em nossas almas, assim como ter nossas necessidades supridas por Deus, primeira e unicamente.

A Quaresma nos lembra da nossa humanidade

Quando eu fazia parte de uma igreja litúrgica na faculdade, fui ao meu primeiro culto de Quarta-feira de Cinzas, onde fui marcada na testa com cinzas enquanto ouvia as palavras “Do pó vieste e ao pó retornarás.”

Parecia que alguém tinha me dado um soco e fiquei completamente sem ar. Era uma lembrança da morte. Sendo eu universitária, raramente pensava sobre minha finitude, minha fragilidade. Mas aquela declaração sobre mim, de que comecei do pó e que para lá retornaria, me humilhou profundamente, da melhor maneira possível.

A Quaresma me apontou de volta à verdade de que todo meu valor e propósito vem de ser uma pessoa criada à imagem e semelhança do Deus que me criou e que criou a maneira para que eu fosse salva. Fora d’Ele, sou pó; nada sou e nada tenho. Mas por causa do seu grande amor, minha vida tem um valor infinitamente maior que o pó.

A Quaresma nos desintoxica, para que nos preparemos para celebração

A Quaresma é um período de reflexão, até de luto, e essa atitude é um tapa na cara da maioria da cultura em que vivemos. É necessário nos desintoxicarmos ao confrontar nosso quebrantamento, ao interromper nosso desejo por uma vida leve e tranqüila, se quisermos celebrar a milagrosa mensagem da Páscoa que muda nossa vida.

Se não estivermos cientes da nossa pecaminosidade e necessidade, não seremos capazes de compreender o desespero da Sexta-feira da Paixão ou da verdade transformadora da Ressurreição. Desintoxicar nossa mente e coração em preparação para a Páscoa nos capacita para celebrar de maneira mais profunda e alegre, talvez, que conseguiríamos sem a solenidade dessa tradição. Porque conhecer nossa verdadeira natureza, conhecer nossa necessidade por Cristo faz com que a Páscoa seja a melhor e mais necessária Boa Notícia que jamais possamos receber.

– – – – – – – – – – – – – – – – – – –

Você pode conhecer mais do trabalho de Ann Swindell em annswindell.com.

Licença Creative Commons

This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “O Blog do Andrew”.