Confissões de um viciado em facebook

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”  João 1:14

Volta e meia, leio algum artigo ou mais um estudo falando sobre os efeitos negativos do facebook. Já chegou até ao ponto de ser associado a casos de depressão. Coisa de louco! E aí comecei a pensar sobre o assunto…

Qual é a grande graça do facebook? Qual é a jogada que deu certo? Qual é o segredo do Mark Zuckerberg? Bem, ele simplesmente enxergou uma necessidade primordial do homem e trabalhou em cima disso. Ou será que foram os irmãos Winklevoss? Enfim. Isso aí é conversa para os tribunais.

Por que será que não conseguimos ficar longe do facebook? Entramos para passar uns dez minutinhos, e quinze minutos depois passaram-se três horas. Não vemos o tempo passar. Mas somos fisgados por essa ferramenta social. Por que? Bem… pessoas. Simplesmente. O homem não nasceu para viver só, seja casamento ou amizade. Eu preciso me socializar com outros. E o facebook “permite” justamente isso. E não só o facebook. Desde as épocas de ICQ, MSN, orkut, fotolog, fotolist, blogs, vlogs, twitter, skype, Hi5, linkedin e por aí vai. As ferramentas sempre foram das mais variadas. O objetivo continua sendo o mesmo.

Mas será que essas ferramentas são eficazes em alcançar esse objetivo?

Vamos viajar um pouco…

Quantos conhecem a Mona Lisa, o famoso quadro de Leonardo da Vinci? Difícil não conhecer. Aquela jovem sentada com vestido escuro e cabelos negros lisos com um esboço de sorriso. Tipo Gioconda. Já virou, inclusive, até piada no nosso querido facebook numa suposta propaganda de alisamento de cabelo (Mona lisa X Mona crespa). Você sabe de qual quadro estou falando. Porém, reza a lenda que quando as pessoas vão visitar o quadro em si, a tela exposta no museu do Louvre, ficam um pouco desapontadas. Como? Acham a tela pequena. Ou seja, pessoas que nunca viram a tela pessoalmente se decepcionam com o tamanho reduzido do famoso quadro. Desapontamento vem de uma esperança ou expectativa frustrada. De onde veio tamanha expectativa em torno de algo que jamais se conheceu? Bem, a fama, a reputação da senhora Lisa Gherardini se tornou algo numa proporção tão grandiosa que superou o próprio quadro em si. Não faz sentido. A origem da reputação (o quadro) está aquém da reputação construída em torno da obra. Ou seja, a origem do frisson deixa a desejar. Devido a tantas reproduções e, de certo modo, falsificações da obra, o quadro original perde valor. Cria-se um simulacro, uma reprodução imperfeita, uma simulação a tal ponto que aquilo que inicialmente lhe conferiu sentido torna-se vazio. O quadro em si, por mais que nunca tenha-se verdadeiramente conhecido, se torna uma decepção.

O que o facebook está fazendo com nossos relacionamentos? O quanto será que essa ferramenta de socialização está criando um simulacro de amizade ou até corrompendo a maneira como nos relacionamos com o próximo?

Estou beirando os dois mil amigos no facebook. Amigos? Olhando para esta lista, eu talvez conheça (e por conhecer quero dizer com quem troquei palavras ao vivo, no mínimo) metade. Dessa metade, talvez quinhentos (estou chutando alto) sejam pessoas que vejo face a face algumas vezes por ano. Há muitos colegas de colégio com quem não falo há quase dez anos. Há outros que conheci numa viagem que fiz e com quem passei uma semana muito legal. E há outros com quem sequer troquei uma palavra na vida. Não faço a mínima ideia de quem são. Quando alguém me adiciona, não faço muita questão de filtrar. Como escrevo um blog e viajo bastante pela minha função na editora, imagino que sejam pessoas que acompanham meus textos ou com quem esbarrei numa conferência. Mas além disso, nunca trocamos uma palavra sequer. Já tive quem me encontrasse num congresso e perguntasse: “Você é o Andrew do blog do Andrew?” Respondo que sim. Isso é legal, porque a partir disso inicia-se uma conversa e posso até ter uma resposta aos meus textos. Mas em outros casos, alguém chega pra mim e fala: “Oi Andrew, sou seu amigo no facebook.” E fica aquele silêncio. Respondo educadamente, mas não sei muito o que dizer. Nem ele. Continua o silêncio estranho, como se tivéssemos uma relação estabelecida anteriormente e aqui estamos “botando o papo em dia”. Mas nunca houve papo. Nunca conversamos. No lugar de começarmos uma conversa nova e criarmos algo a partir do zero, fica aquela reputação, uma ideia de que já somos amigos. Será?

Como é que se conhece alguém via facebook? De verdade? Eu não coloco tudo que sou no “face”, até por uma questão de segurança. Recentemente, um parente meu começou a namorar e me espantei quando dei de cara com ele e a menina. Minha reação inicial foi preocupante: “Mas você não atualizou seu status no facebook! Como assim você está namorando?” Só foi depois que me dei conta do que eu tinha pensado. Temos agora o timeline, para a angústia de muitos. Mais uma ferramenta para postarmos nossa vida (ou pelo menos aquilo que queremos que seja conhecido) na internet. “Fulano anda sumido, afinal, quase não posta mais no facebook.” “Estou achando que o João não vai com a minha cara, afinal, ele não respondeu à minha solicitação de amizade no facebook.” “Ela está de mal comigo. Sei disso porque ela não curtiu aquela foto em que estamos juntos. Sequer comentou no meu status hoje.”

Criamos uma nova modalidade de relacionamento, e nós estamos viciados. Sou o primeiro a admitir o quanto o facebook tem me feito mal. Estou “por dentro” da vida de pessoas que, na vida real, não fazem parte da minha realidade. Faz mais de oito anos que eu não vejo aquela menina com quem eu estudei ao longo de quinze anos. Hoje eu sei que está casada. Legal. E aí? Alguém fez aniversário, logo, mandei um recado e tá tudo certo. Quando foi a última vez que você ligou para alguém no seu aniversário? Pior, quando foi a última vez que você falou encontrou alguém na semana do seu aniversário e pensou: “Ih caramba, não dei parabéns. Mas deixei recado no face, então tá legal.” Como é que a gente foge de encontros reais e saudáveis lançando mão da praticidade do facebook? É só postar uma foto, entrar no chat, mandar uma mensagem, criar um evento e tá tudo certo.

Fico pensando em quando lançaram o cinema 3D e muitos começaram a ter dor de cabeça e náuseas (fui ver Avatar e aconteceu comigo). Li um estudo que fala que isso acontece porque o cérebro percebe o movimento e se prepara para que o corpo responda. Na falta de resposta, da reação normal à percepção de movimento, essa mistura de sinais causa esses efeitos colaterais. Será que o mesmo não acontece com o facebook? O meu cérebro percebe uma realidade e se prepara para uma interação social, mas o meu dia a dia não corresponde àquilo. Será que é daí que vem meu mal estar?

Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Deus é um Deus relacional. Pai, Filho e Espírito Santo vivem numa eterna comunhão relacional perfeita. Ao enviar Cristo para morrer em nosso lugar, o Pai quebrou a barreira entre os mundos divino e material (dando um nó na cabeça da filosofia platônica) e se colocou como homem, ao nosso lado, para morrer em nosso lugar. Fomos criados, tanto biologicamente quanto emocionalmente, para isso. A Bíblia fala tanto da necessidade de interagir, aprender e servir o próximo e tantas coisas mais.

Por que será que o facebook causa depressão? Qual será o desapontamento causado por esse site de relacionamentos? Ele toma o lugar (teoricamente) das nossas relações humanas. Por mais que estejamos em contato com nossos amigos ao redor do planeta, continuamos a mercê da telinha intermediária que tira nosso sono com “apenas mais cinco minutinhos antes de dormir”.

Sou o primeiro a dizer o quanto o facebook tem me feito mal. O problema é que estou viciado nele e não sei como largar.

Facebook é legal, é prático. Mas nenhuma mídia, por mais social que seja, é capaz de transmitir a nuança de um sorriso, a firmeza de um aperto de mão, uma gargalhada constrangedora, um espirro dado fora de hora, uma palavra balbuciada, uma voz trêmula, um choro engasgado, um cheiro gostoso ou um abraço apertado.

Tenho que reaprender a me relacionar com pessoas, e creio que não sou o único.

 

Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License.

Direitos Reservados
O conteúdo deste site é de divulgação livre para fins não comerciais. É mandatório quem for reproduzir um post creditar: 1) Nome do autor. 2) URL do blog (com link). 3) Nome do blog: “O Blog do Andrew”.

About these ads

35 comentários

  1. Gabriel Antunes · · Resposta

    Andrew, esse seu texto é fundamental. Acredito plenamente que o Facebook, assim como outras mídias sociais, criam uma realidade contraditória e fictícia. Sabemos de tudo e sabemos de nada ao mesmo tempo. Conhecemos tudo, conhecemos nada. Mil amigos, zero amigos. Precisamos voltar para as relações tridimensionais. Ver realmente as pessoas, senti-las e verdadeiramente conhecê-las. Sou um jovem ateu de 19 anos que repassará esse texto para o máximo de pessoas que puder.

    Maurício Zágari, “ex-blogueiro”, largou as redes sociais e fez um brilhante texto no blog “Apenas”. Recomendo. Que todos tenham paz. Um abraço.

    1. Conheço O blog do Maurício. Textos excelentes!

      Abraço

  2. Olá Andrew, eu abrir meu Email e vejo uma atualização do seu blog com uma nova postagem que me chamou muuuito atenção!!! Facebook! É interessante e preocupante saber que hj tudo gira em torno do Facebook, uma frase desse texto resume isso: “…Mas você não atualizou seu status no facebook! Como assim você está namorando?” entre outras que você escreveu “…Estou achando que o João não vai com a minha cara, afinal, ele não respondeu à minha solicitação de amizade no Facebook.”… Nossa! Realmente é como se o face fosse a verdadeira realidade. Também estou assim, e minha ultima postagem também foi sobre isso, sei que isso é uma prisão! Não percebemos o tempo que gastamos nela! Só depois vemos o prejuízo, coisas que não deu tempo de fazer por causa desse vicio, amigos que não fomos visitar, ou até mesmo deixamos de jantar em família por estarmos grudado no computador. Muitas pessoas aí fora estão se perdendo e nós por incrível que pareça, também estamos, se não vigiarmos nisso! Eu acho que usar o facebook em realmente 5 minutos deve ser considerado uma virtude hoje em dia!rs. Que possamos ter essa consciência, e focar mais na palavra de Deus!! Que Deus o abençoe ;)

    1. Será que precisamos criar um grupo de facebookeiros anônimos? Hehehe…

      1. - Oi meu nome é Cris
        – Oi Cris

      2. Seja bem vinda ao grupo, Cris.

        Abraço

  3. Paz do Senhor Jesus Andrew!
    Meu nome é Sara

    Li seu texto, muito bom mesmo!
    Só fiquei intrigada com uma parte dele.

    “Sou o primeiro a dizer o quanto o facebook tem me feito mal.
    (O problema é que estou viciado nele e não sei como largar”).

    Eu por exemplo vi como largar um pouco esse vício ( é também sou).
    Conseguir ver algumas resoluções explicitas nas informações, você não?

    1. Bem, o “largar o facebook” em si não é o suficiente para mim. É que nem querer emagrecer fazendo dieta sem mudar sua maneira de pensar e comer. Se você faz dieta pensando no quão bom vai ser chegar ao fim dela pra voltar a comer chocolate, então você está simplesmente se preparando para a próxima dieta. Mas se você se condiciona a se controlar, a se disciplinar sempre, sabendo que aquilo em excesso lhe faz mal, daí é diferente. Facebook em si não é ruim. Mas sem disciplina, ele é terrível. Não adianta demonizar o facebook. A mudança tem que partir de nós.

      Abraço!

      1. Sara · ·

        Deixa eu ver se entendi Rs.
        Pra você “largar o facebook” não é simplesmente exclui-lo certo, mas : condicionar a controlar, a se disciplinar!. E isso é uma resposta de como largar o vicio. E o mais engraçado é que foi VOCÊ que apresentou a resolução!
        (O problema é que estou viciado nele e não sei como largar”)
        Logo, você sabe como largar!

        Aproveitando sua analogia:
        Para emagrecer sabemos muito bem o que fazer:
        (reeducação alimentar e não simplesmente parar de comer).
        Mas insistimos em usar aquela :
        “Segunda eu começo”

        Não seria isso senhor Andrew?
        Fica na paz!

      2. Por aí. Existe uma grande diferença entre conhecer a solução e conseguir chegar a ela. Pra emagrecer não tem mistério: coma direito e faça exercícios. Só. Mas quem consegue? Aí são outros quinhentos.

  4. Dayanna · · Resposta

    Caraca!

  5. Bem vindo ao grupo! rs

    Tenho falado sobre isso no meu grupo familiar.

    Eu também tenho percebido que esqueci de como me relacionar, não sei mais conversar, mas pelo menos, reconhecemos que precisamos mudar.

    Na minha opinião o problema não é o Facebook em si, mas como nós fazemos o uso dele.

    Se ele gerar um encontro real, ok! Mas se substituirmos o real pelo virtual, ai sim nós estamos nos perdendo.

    Em um curso que fiz sobre redes sociais, o professor disse algo interessante: As redes sociais criam a pseudo intimidade.

    Parece que somos amigos intimos dos 500 ou 1000 amigos que temos no Face, mas na verdade temos quantidade e não qualidade.

    O grande propósito do Mark é fazer as pessoas não sairem do Facebook, por isso hoje temos tantos aplicativos lá.

    Enfim, isso daria uma boa conversa quando vc estiver aqui em Sampa novamente! rs

    Abraços.

    1. Palavra chave: pseudo intimidade.

      É tal coisa Cauê, o facebook é um auxílio. Ele, junto com o relacionamento “de verdade”, não é uma coisa ruim. Muito pelo contrário! No nosso grupo jovem, usamos o facebook pra se comunicar semanalmente e é ótimo! Compartilhamos pedidos de oração, alegrias, tristezas… mas tudo culmina na reunião semanal, sem contar quando nos vemos nos cultos e nas eventuais saídas da turma.

      É papo pra muita visita! hehehe…

      Abraço!

  6. Bom texto, Andrew. É saudável que existam pessoas que consigam fazer esse tipo de leitura. Mais saudável ainda é mudar esse mal hábito que adquirimos ao trocar relacionamentos reais por superficialidades.

    Eu mesmo já tive algumas experiências ruins com relação ao assunto. Há alguns anos atrás – quando o Facebook ainda nem era muito utilizado no Brasil – a ferramenta que me prejudicou foi o MSN. Usava o messenger a todo instante: no trabalho, porque era prático para a comunicação entre setores da empresa, na universidade e em casa também.

    O fato é que tive amizades prejudicadas por conversas longas na internet. Conflitos surgiam porque uma “expressão virtual” é muito ineficaz na comunicação exata daquilo que se quer dizer. Numa conversa face a face, você consegue perceber intenções, tons, sentimentos, ironias, verdades e mentiras. É muito complicado – e em vários momentos até impossível – mensurar isso na internet.

    É por isso que devemos tomar cuidado com essas coisas, pois o preço que pagamos é muito alto. Relacionamentos quebrados e pessoas com dificuldade de manter contatos saudáveis na vida real são dois fortes empecilhos para a propagação do Evangelho.

  7. Ah, Andrew… te dizer que já fiz a mesma reflexão milhares de vezes, mas por mais que eu queira ter uma vida “real”, é difícil largar do facebook. Já o desativei e reativei diversas vezes, porque sempre que eu canso de toda a fofoca e postagens absurdas, eu excluo. Mas acabo voltando. É o vício.

    Essa rede social já me trouxe vários problemas. Tinha uma época que eu postava tudo que me vinha a mente, e acabava sendo mal interpretada por palavras que usei. Hoje, não posto praticamente nada, a não ser um link interessante que vejo por aí vez ou outra. Mas então eu me pergunto, por que eu ainda continuo com essa coisa ativada?

    Não dá pra negar que o facebook é útil as vezes. Descubro alguns eventos interessantes para ir, gosto de assinar algumas revistas interessantes, e conversar com fulano ou outro que eu não tenho no msn. Mas para mim, ele traz mais malefícios que benefícios. Eu me incomodo muito com certos absurdos que as pessoas postam, mas me incomodo mais ainda com o fato de perder tempo lendo, ganhando de brinde certa irritação. Tudo é superficial demais, todo mundo é feliz demais e tem a vida perfeita demais.

    Refletindo mais uma vez sobre o assunto, pensei agora em deletá-lo novamente. Mas quanto tempo isso duraria, não?

    Ótimo texto. Ah, te adicionei no facebook =) hehehehhe

    Abraço, Deus abençoe.

  8. Olá, Andrew,

    Texto muito oportuno. Para evitar nossa ‘dependência’ do facebook, eu e alguns amigos de vez em quando combinamos um jejum de 7 dias, sem entrar nenhum minuto sequer no face, faz bem! Principalmente quando vc retorna e vê que lá não tem só pseudo-amizades, mas também tem muita gente que gostaria de estar ao seu lado, mas como a distância não permite, estão na sua rede social, apenas para se fazerem um pouquinho mais presente na sua vida.

    Mas olha, não acho que você seja viciado em facebook, não, porque com certeza você não deixa (por exemplo) um compromisso cristão em nome de ficar em casa na frente do facebook, neh? Há uma vida lá fora e você interage com ela, também! rsrsrsrs…

    Só pra ir pensando mesmo, eu sempre levanto questões para pensar no seu blog… afff… perdoa a nordestina aqui, rsrsrss!

    Abraço pra vc, :)
    Anninha

  9. Muito bom o texto!! Tenho que conversar que quando me perguntam: Onde vc passa a maior parte do seu tempo ? e eu respondo: Na internet e no FACEBOOK !!! Muitas vezes nós deixamos de sair.. pq estamos conversando com alguem no face e ñ keremos deixar a conversa pq está muito legal o bapo!

    Entao … temos que nos desprender um pouco … e deixar o face um pouco de lado e buscar mais a Deus e o que ele quer pra nós… eu falo isso por mim mesmo!

    Abraços Andrew

  10. Andrew, muito bom!
    Sou seu “amigo de facebook” por três motivos 1º Por acompanhar seu trabalho 2º por esbarrar algumas vezes com você na catedral 3º Claro, seu pai.
    Eu passei por isso alguns meses atrás. Deletei meu antigo perfil, motivo: 80% das pessoas que estavam lá não tinha um relacionamento de verdade comigo, e também minha vida estava toda lá ( para mim isto é um suicídio digital rsrs) e isso estava me incomodando demais. Deletei o perfil, analisei muito “o porque” usava o facebook, sua finalidade e como seria a maneira correta de utilizar. Lógico que para cada um há um meio correto de utilização (pessoal, profissional ou os dois juntos) e então encontrei o meu, mas creio que seu texto é fundamental. Talvez tenha sido meio drástico, porém hoje tem a convicção que relacionamentos só são relacionamentos, quando sentimos o próximo.

  11. Andrew, curiosamente eu tava pensando nisto estes dias. E também preciso aprender a administrar (creio que a palavra correta seja essa). Trazer para um equilíbrio.
    A tecnologia nos possibilita um “bocado de coisas”, mas também pode nos fazer reféns e por vezes escravos.

    Deus te abênçoe.

  12. Deborah Knapik · · Resposta

    Andrew! Venho acompanhando seus textos há um longo tempo, e devo confessar que frases que leio por aqui se “chocam” com a minha realidade constantemente. Há dois meses, deletei uma conta que possuía desde 2008, por estar beirando mil e tantos amigos com os quais nem conheci de forma tão profunda para dizer: “fulano de tal é meu amigo”. Fiz então uma nova conta, não por sentir necessidade de estar conectada com o mundo, ou por não viver mais sem aquela ferramenta de comunicação. Mas fiz uma nova conta, por que até mesmo os poucos amigos que possuo, estavam se afastando de mim, por não conseguirem mais falar comigo. O detalhe é que todos eles tem meu telefone, sabem onde eu moro e consequentemente sabem qual a igreja que frequento. Mas deve ser mais fácil marcar-me em postagens desnecessárias sobre descobertas das ciências, ou filmes em cartaz no cinema. Nessa época, refleti demais como eu me relacionaria com essas pessoas se elas convivessem comigo 24h por dia – e não obtive nenhuma resposta.
    O facebook, assim como o orkut, twitter, e tantas outras redes sociais, surgiram com o intuito de compartilhar um status no cyberspace, que cara a cara você não possui. Muitos conhecidos me adicionavam, e ao passar por mim na universidade nem sequer levantavam a cabeça quando eu me referia a eles com um oi. Agora experimente passar três minutos sem responder a mesma pessoa no facebook, que você gera a terceira guerra mundial.
    Relacionamentos que antes eram feitos de tardes na varanda, vendo o por do sol, e conversando sobre a bíblia. Como muitos amigos “sábios” me contam… verdadeiras amizades, onde era seguido ao pé da letrao texto de Salomão: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho.Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Eclesiastes 4:9-10″
    E após refazer esse perfil, passei a adicionar pessoas que realmente postassem mensagens que significassem que elas não deixaram de suas vidas pessoais, para se envolver com a “vitrine do altruísmo”. Pastores, músicos, blogueiros (entre um deles você, rs.), e a família fazem parte da minha timeline, de maneira com que eu possa me sentir a vontade para entrar num comentário saudável sobre o contexto mundial. Nada muito pessoal. O básico, o trivial, e o mais simples possível, para que não haja a famosa invasão de privacidade.
    O triste de toda essa história, é que fui entender isso, após 4 anos de convivência diária com o facebook.
    Que Deus continue derramando de sua graça sobre nós, a fim de que alcancemos a sabedoria verdadeira.

    – Deborah Knapik -

  13. Ótimo texto, Andrew!!!
    Leva a uma reflexão profunda sobre essa vida paralela que tem consumido tanto tempo da nossa ´´vida real´´…
    É bom parar prá pensar em como temos alimentado os avatares que estamos criando. O que eles sabem sobre nós. O que eles sentem por nós. E como eles podem sofrer no nosso lugar.
    Lembro-me do vazio e da orfandade que sinto em relação aos 12 perfis(!!!) do Orkut que simplesmente abandonei, por acreditar que aquela rede tornou-se obsoleta.
    Como todo vício, não reparamos bem no mal que ele (Facebook) nos faz, apenas no prazer que ele parece proporcionar, por um momento…
    Não tenho postado nenhum conteúdo no Facebook já há uma semana. Pode parecer uma conquista ou uma glória daquelas compartilhadas entre Alcoólicos ou Narcóticos anônimos (ou quase famosos…). No meu caso, é apenas para provar a mim mesmo que existem outros ambientes mais propícios para discussões, ensinamentos ou aprendizados.
    E para lembrar que os Blogs são espaços nossos, livres, enquanto o Facebook é apenas um feudo em que temos que seguir uma ordem estranha e limitadora do pensamento e das opiniões.
    Mais uma vez,
    Parabéns pelo belo texto!!!
    Gutemberg

  14. Sara · · Resposta

    É verdade! Boa resposta!

  15. Eduardo de S. Codazzi · · Resposta

    Andrew, tudo bem eu publicar esse seu texto no grupo do facebook chamado: ICNV COPA ?

    1. Sem problemas. Só não esqueça de incluir o link pro meu blog, e meu nome, é claro :)

      Abraço

      1. Eduardo de S. Codazzi · ·

        pode deixar, ao colocar o link para seu blog, automaticamente seu nome é sitado “oblogdoandrew” rsrs, obrigado pela oportunidade de ler seus textos e poder compartilhar com outros irmãos.

      2. Depois me manda o link, por favor.

        Abraço!

  16. Tatiana Melgarejo ferreira · · Resposta

    Obrigada!!! Muito bom!!!!

  17. E quando o vício é Twitter? O caso é de igual modo sério? Haha

    1. Talvez seja pior, pois a comunicação é cortada em pedaços ainda menores. Mas o preceito é o mesmo.

  18. Betty Mae Agi · · Resposta

    Aqui nesse blog eu encontro o tipo de coisa que está na minha mente, mas que nao sei exprimir em palavras! Esse texto então, MEU DEUS! Acho que o problema em si não é ‘largar’ o facebook e outras redes, mas sim reaprender a ter relacionamentos reais e saudáveis… Será possível isso nos dias de hoje?

  19. Nicole · · Resposta

    Olá andrew, meu nome é Nicole e tomei conhecimento do seu blog através de compartilhamentos no facebook. Essa sua publicação sobre o mesmo faz eu me sentir aliviada por saber que nao sou só eu que me questiono sobre a relativizacao dos relacionamentos causados pelas redes sociais. O facebook é útil pra mim, por exemplo, para informações da minha turma da faculdade , como trabalhos e aulas, mas acho que ele deveria servir , simplesmente, como um suporte às relações e nao as mesmas em si ! Enfim, gostei muito da sua publicação, foi a primeira que li e serviu como impulso para ler as outras! Parabens pelo trabalho, fique com Deus ! Beijao .

  20. Adivinha aonde eu compartilhei esse texto? hahaha
    Muito bom :)

  21. Silvia · · Resposta

    Depois de ler esse texto preferi só te assinar ao invés de adicionar..

    1. Hehehe… Fica tranquila.

      Abraço,

      A

O que você achou? Queria ouvir, se quiser compartilhar.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 2.850 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: